SAÚDE PÚBLICA SEGURA

Ministério da Saúde garante: Hantavírus de cruzeiro não ameaça Brasil

Ministério da Saúde garante: Hantavírus de cruzeiro não ameaça Brasil

País soma um óbito e sete casos em 2026; variantes locais não têm transmissão entre pessoas.

Em uma importante declaração nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o Ministério da Saúde tranquilizou a população brasileira ao garantir que os casos de Hantavírus confirmados em passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius não representam risco de disseminação no país. A pasta baseia-se na ausência do genótipo Andes no território nacional e na não transmissão interpessoal das variantes locais, um posicionamento crucial para dissipar temores e reforçar a segurança sanitária nacional.

Até o momento, em 2026, o Brasil registrou um óbito e sete casos de contaminação pelo vírus, dados que, conforme o Ministério, apontam para uma tendência de redução da doença. Na última semana, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmou dois casos de Hantavírus no estado, enquanto outros 21 foram descartados e 11 seguem em investigação.

O Ministério da Saúde esclarece que tanto o óbito, ocorrido em Minas Gerais, quanto os casos confirmados no Paraná, não possuem qualquer relação com as contaminações pelo vírus a bordo do MV Hondius. O Brasil não registra a circulação do genótipo Andes, variante associada a episódios raros de transmissão interpessoal, como os observados na Argentina e no Chile, e que está presente no navio. As ocorrências humanas no Brasil, por sua vez, não apresentam transmissão entre pessoas. Até agora, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, mas nenhuma transmissão interpessoal.

Desde 1993, ano da identificação da doença no Brasil, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos. O Ministério da Saúde, que continua monitorando rigorosamente a ocorrência do vírus, destaca uma tendência de redução significativa. Em 2025, o país contabilizou 35 casos e 15 óbitos, o menor número desde o início da série histórica recente.

Em Minas Gerais, um homem de 46 anos, residente de Carmo do Paranaíba, faleceu após ser diagnosticado com Hantavírus. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, ele teve histórico de contato com roedor silvestre em uma lavoura. Os primeiros sintomas, como cefaleia, surgiram em 2 de fevereiro. Quatro dias depois, ele procurou atendimento ao apresentar febre, dor muscular, nas articulações e na região lombar, vindo a óbito em 8 de fevereiro deste ano.

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, reforçou a tranquilidade: “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado.” A pasta, contudo, enfatizou medidas de prevenção, especialmente para quem vive ou trabalha em áreas rurais. “A principal orientação é evitar varrer locais com poeira seca, onde possa haver fezes ou urina de roedores. O ideal é ventilar o ambiente, umedecer o piso antes da limpeza e manter alimentos e resíduos bem protegidos”, pontuou Baccheretti.

Após a confirmação dos casos no Paraná, o secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirmou que a doença permanece controlada. “A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença.” A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) também informa que os casos confirmados no estado em 2026 foram identificados em Pérola d'Oeste (abril) e Ponta Grossa (fevereiro), e reforça que não há registro da circulação do vírus Andes no Paraná. Os casos locais são da cepa silvestre, transmitida por meio de roedores, e não há qualquer surto registrado, com monitoramento permanente em curso.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda de notificação compulsória imediata. Sua transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. Outras formas de contágio incluem o contato do vírus com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais. Quando se desenvolve, o vírus pode causar a SCPH (Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus) e, em casos mais severos, a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), podendo evoluir para edema pulmonar não cardiogênico, insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.

A identificação da doença no cruzeiro Hondius foi confirmada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na última terça-feira, 5 de maio. As investigações indicam que a transmissão ocorreu de pessoa para pessoa a bordo do navio. A embarcação, operada pela empresa de turismo Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no mês passado, em uma viagem pelo Oceano Atlântico com paradas em ilhas remotas. Ao longo do percurso, vários passageiros adoeceram com uma doença respiratória de rápida progressão, resultando em três mortes pelo vírus. De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão entre pessoas do Hantavírus do tipo Andes é “considerada limitada e costuma ocorrer em contatos próximos e prolongados”, mas ambientes como navios de cruzeiro “exigem atenção devido à grande circulação de pessoas e ao compartilhamento de espaços fechados.”

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