SAÚDE E REPRODUÇÃO

Ministério da Saúde da Turquia pune médicos por alto índice de cesarianas

Fachada de centro de saúde na Turquia.
Hospital na Turquia onde diretrizes governamentais sobre partos são aplicadas.

Mais de cem obstetras enfrentam suspensões e multas após o governo intensificar o controle sobre métodos de parto.

O Ministério da Saúde da Turquia impôs sanções administrativas a mais de cem médicos, incluindo a suspensão temporária do exercício da profissão e a obrigatoriedade de cursos de requalificação, por realizarem o que as autoridades classificam como um número excessivo de cesáreas. A medida, detalhada pelo jornal BirGun no dia 11/07/2026, reflete a busca governamental por reduzir a dependência desse procedimento cirúrgico, visando alinhar o país às diretrizes de saúde pública e incentivar partos naturais.

Os dados de 2023 consolidam a Turquia no topo do ranking de cesarianas entre os 38 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), registrando a marca de 615 intervenções para cada 1.000 nascidos. Para os profissionais da área, a preferência pelo método cirúrgico é pragmática: enquanto um parto natural pode demandar até 12 horas de acompanhamento, a cesárea permite otimizar o tempo em 30 minutos, minimizando, segundo a categoria, a exposição a litígios judiciais decorrentes de possíveis complicações durante o trabalho de parto.

A ofensiva contra as cesáreas ganha força sob o escopo da iniciativa "Década da Família", liderada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan. Desde a proibição, em abril de 2025, de realizar o procedimento em centros privados sem justificativa clínica, o governo tem ampliado a vigilância sobre a autonomia médica. O objetivo central seria reverter indicadores demográficos e fomentar uma abordagem que o Estado denomina como mais natural para a maternidade.

A decisão, contudo, enfrenta resistência da Associação Médica Turca. Para Gultekingil, representante da entidade, a punição individual ignora falhas sistêmicas. "A taxa de partos por cesariana na Turquia supera 60%. Mas esse procedimento reflete diversos problemas no sistema de saúde turco", avalia a profissional, alertando que a medida pode gerar tensão na relação entre o setor público e os especialistas, sem atacar a raiz dos desafios estruturais enfrentados pelas gestantes.

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