FOCO NA MULHER
Michelle Bolsonaro expande influência no PL de forma remota, focando em candidaturas femininas para 2026
Ex-primeira-dama gerencia articulações partidárias e estratégias eleitorais do PL Mulher por videochamada, visando dobrar a bancada feminina e divergindo em alianças estratégicas.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem conduzido boa parte de sua atuação política de forma remota desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar em Brasília. Sem se afastar das articulações partidárias, a presidente nacional do PL Mulher adaptou a rotina e passou a participar de eventos e reuniões por videochamada, ao mesmo tempo em que amplia sua influência nas estratégias eleitorais da legenda para 2026. A decisão de priorizar a gestão à distância, tomada desde o fim de março, visa acompanhar a recuperação do ex-presidente e evitar desgastes políticos. Essa nova modalidade de atuação é um reflexo da necessidade de manter a força política mesmo diante de circunstâncias pessoais, demonstrando resiliência e foco no projeto de fortalecimento da presença feminina na política. A mudança de rotina, porém, não significou afastamento da política. Michelle passou a substituir agendas presenciais por transmissões ao vivo, vídeos gravados e reuniões virtuais com lideranças femininas. O modelo deve continuar nos próximos meses, com participações remotas previstas em eventos de estados como São Paulo, Goiás e Ceará. Nos bastidores do Partido Liberal, a avaliação é que Michelle atravessa um dos períodos de maior protagonismo desde que assumiu o comando do PL Mulher. Seu foco principal não está na disputa presidencial, mas na ampliação da presença feminina na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas.

A meta é ajudar a eleger pelo menos 20 parlamentares mulheres em 2026. Para isso, ela passou a atuar diretamente na formação de chapas proporcionais em diversos estados, apoiando candidaturas como as de Maria Yvelônia, em Goiás; Mariana Carvalho e Flávia Berthier, no Maranhão; Coronel Fernanda, em Mato Grosso; e Carlise Kwiatkowski, no Paraná. O fortalecimento da ala feminina também produziu reflexos nas disputas majoritárias estaduais e evidenciou divergências internas com o grupo liderado pelo senador Flávio Bolsonaro sobre os rumos do bolsonarismo.
O Ceará tornou-se o principal símbolo desse embate. Enquanto aliados de Flávio defendem uma aproximação com Ciro Gomes e apoiam o deputado estadual Alcides Fernandes para o Senado, Michelle atua contra qualquer composição com o ex-ministro e transformou a candidatura da vereadora Priscila Costa em prioridade. Ela também mantém apoio ao senador Eduardo Girão para o governo estadual. No Distrito Federal, Michelle se aproximou da vice-governadora Celina Leão e trabalha para fortalecer a candidatura da deputada federal Bia Kicis ao Senado, além de incentivar a candidatura de Eduardo Torres, seu irmão de criação, à Câmara Legislativa. Já o grupo de Flávio prefere o senador Izalci Lucas para disputar o governo local. As diferenças também aparecem em outros estados. Em Santa Catarina, Michelle consolidou a deputada Carol de Toni como prioridade para o Senado e ampliou interlocuções com o senador Esperidião Amin. Em São Paulo, apoia a deputada Rosana Valle, enquanto Flávio trabalha pela candidatura de André do Prado.
Mesmo longe dos palanques e das viagens que marcaram sua atuação nos últimos anos, Michelle vem ampliando seu espaço nas decisões do partido e consolidando uma influência própria dentro do bolsonarismo, com impacto direto na formação das chapas para as eleições de 2026. Sua atuação estratégica, centrada em fortalecer a representatividade feminina e em definir alianças cruciais, reforça sua posição como uma figura-chave nas articulações políticas futuras do PL e do movimento bolsonarista.
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