RISCO NAS ESTRADAS

Metade das rodovias públicas do Brasil apresenta alto risco de acidentes graves, aponta CNT

Representação visual de uma rodovia brasileira com sinalização de alerta.
Pesquisa da CNT avalia a capacidade das rodovias brasileiras em reduzir o risco de acidentes graves.

Pesquisa da CNT revela que 42.052 km de rodovias públicas oferecem baixa capacidade de proteção. Em contraste, vias concedidas à iniciativa privada mostram desempenho superior.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou, nesta terça-feira, 02/06/2026, um preocupante panorama sobre a segurança das rodovias públicas brasileiras. Uma pesquisa recente revelou que metade da malha viária sob gestão pública, o equivalente a 42.052 quilômetros, possui baixa capacidade de mitigar o risco de acidentes graves. O estudo, intitulado 'Rodovias que Perdoam', referente ao ano de 2025, evidencia um cenário que impacta diretamente a segurança e a dignidade dos milhares de brasileiros que dependem dessas vias diariamente.

O 'Alto Índice de Perdão', que indica uma elevada proteção para motoristas e passageiros, foi registrado em apenas 4,8% (4.024 km) das rodovias públicas avaliadas. Este percentual representa uma queda de 1,4% em relação à pesquisa anterior, quando o índice era de 6,2%, sinalizando um retrocesso na qualidade da infraestrutura de segurança.

Em contrapartida, as rodovias concedidas à iniciativa privada apresentaram resultados mais animadores. Nessas vias, 62% da extensão analisada (18.670 km) alcançaram o 'Alto Índice de Perdão'. Apenas 2,4% (718 km) foram classificadas com baixo desempenho, demonstrando a diferença na capacidade de investimento e gestão entre os modelos de administração.

De forma geral, a malha viária nacional avaliada pela CNT em 2025 distribuiu-se da seguinte maneira: 37,5% (42.770 km) foram classificados com 'Baixo Índice de Perdão', 42,7% (48.733 km) com 'Médio Perdão' e 19,9% (22.694 km) com 'Alto Perdão'.

“A nova edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”, explicou Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT, destacando a urgência de ações que garantam a integridade física de todos os usuários.

Os dados por região reforçam a desigualdade na qualidade das estradas:

  • Sudeste: Apresentou o melhor desempenho com 41,0% de 'Alto Perdão' (12.686 km), seguido por 40,4% de 'Médio Perdão' (12.504 km) e 18,5% de 'Baixo Perdão' (5.729 km).
  • Sul: Registrou 26,5% de 'Alto Perdão' (5.030 km), 47,3% de 'Médio Perdão' (8.979 km) e 26,1% de 'Baixo Perdão' (4.959 km).
  • Centro-Oeste: Contou com 13,0% de 'Alto Perdão' (2.606 km), 45,6% de 'Médio Perdão' (9.145 km) e 41,3% de 'Baixo Perdão' (8.284 km).
  • Nordeste: Mostrou maior concentração de 'Baixo Perdão', com 51,1% (15.483 km), além de 42,6% de 'Médio Perdão' (12.916 km) e apenas 6,3% de 'Alto Perdão' (1.895 km).
  • Norte: Apresentou o quadro mais crítico, com 59,5% das rodovias em 'Baixo Perdão' (8.315 km), 37,1% em 'Médio Perdão' (5.189 km) e apenas 3,4% em 'Alto Perdão' (477 km).

O 'Índice de Perdão' avalia a capacidade de uma rodovia em minimizar a severidade de acidentes, considerando elementos como pavimento, sinalização, acostamentos e barreiras de segurança. É importante ressaltar que a pesquisa da CNT não mede a frequência de acidentes, mas sim a probabilidade de que eles resultem em fatalidades ou consequências graves para os envolvidos.

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