CRISE ENTRE PODERES
Messias vê "golpe" de Moraes e Alcolumbre em derrota no Senado
Com 42 votos contrários, Senado barra nome de Lula para o STF e acende tensão com o governo.
Em uma decisão que reverberou intensamente no cenário político nacional, o Senado Federal rejeitou, na quarta-feira, 29 de abril de 2026, a indicação de Jorge Messias para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota, com 42 votos contra e 34 a favor, causou profunda indignação no ex-advogado-geral da União, que classificou o ocorrido como um “golpe” orquestrado. Este episódio acende um alerta no Planalto, que passa a enxergar a situação como um embate político direto e sinaliza o início de uma “guerra” na relação entre os poderes da República.
Interlocutores de Messias relatam sua fúria e o sentimento de traição, apontando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino como peças-chave em uma operação articulada para derrubar sua nomeação. Messias, que havia sido indicado por Lula para ocupar a vaga deixada por Luis Roberto Barroso em outubro do ano passado, agora se empenha em mapear o que considera uma ação coordenada para minar sua ascensão ao Supremo.
A votação, ocorrida na noite da última quarta-feira, consolidou a rejeição ao nome de Messias. Ele afirma a aliados que a atuação de ministros do Supremo, citando nominalmente Moraes e Dino, foi determinante para influenciar o resultado, transformando o que parecia uma sabatina rotineira em um campo de batalha político.
Essa percepção de articulação, que ele chama de “golpe”, marca um novo e tenso momento na relação entre o Executivo e o Judiciário. Messias sustenta que há uma digital explícita dos ministros na operação, elevando o tom do debate institucional para um confronto direto.
Aliados de Flávio Dino, contudo, negam qualquer envolvimento na articulação contra Messias, afirmando que o ministro “lavou as mãos” desde o início do processo, por não considerar o ex-AGU o melhor nome para a Suprema Corte. A narrativa dos defensores de Dino busca desvincular seu nome de qualquer movimento de bastidores que possa ter resultado na rejeição.
No entanto, a resposta do Planalto não tardou. Integrantes do governo têm repetido, nos bastidores, a frase: “Agora é guerra.” O diagnóstico que se consolida no entorno do presidente é que o caso transcendeu a disputa institucional, transformando-se em um enfrentamento político de alta voltagem.
Apesar da derrota, aliados de Messias já avaliam que o revés pode, paradoxalmente, abrir novas oportunidades no tabuleiro político. A leitura é que o episódio pode empurrar Flávio Bolsonaro para o campo de Alcolumbre e de Moraes, reforçando a narrativa de que existe um “sistema” atuando contra os interesses do governo.
A indignação do Planalto se estendeu também ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O governo soube que ele participou de um jantar na véspera da sabatina, gerando desconforto e questionamentos sobre alinhamentos em um momento tão delicado.
Em um tom de escalada, Messias garante a seus aliados que não vai recuar. Ele promete reagir com o apoio incondicional do presidente Lula, indicando que este capítulo está longe de terminar e que os desdobramentos prometem ser intensos na arena política brasileira.
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