TENSÃO CAI GLOBAL

Mercado reage a Lula-Trump e paz no Oriente Médio

Imagem colorida de notas de dólar e de real - Metrópoles
Imagem colorida de notas de dólar e de real - Metrópoles

Dólar recua para R$ 4,90 e Ibovespa registra 186,2 mil pontos nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026.

O mercado financeiro reagiu com otimismo nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, impulsionando a queda do dólar e da Bolsa de Valores. A decisão dos investidores reflete o encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, focado em temas comerciais e segurança, e o crescente avanço nas negociações para um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Essa conjunção de fatores sinaliza um cenário global de menor tensão geopolítica e de reordenamento econômico, impactando diretamente o poder de compra dos cidadãos, os custos de produção das empresas e as oportunidades de investimento.

Às 10h08, o dólar operava em queda de 0,37%, negociado a R$ 4,903. Mais cedo, às 9h10, a moeda norte-americana já recuava 0,06%, a R$ 4,918. A cotação máxima do dia até o momento foi de R$ 4,919, enquanto a mínima atingiu R$ 4,896. Na véspera, quarta-feira, 06 de maio, o dólar encerrou a sessão com leve alta de 0,17%, cotado a R$ 4,921, próximo da estabilidade. Com esse resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,63% no mês e 10,35% no ano frente ao real, aliviando a pressão sobre produtos importados e contribuindo para o controle inflacionário.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também sentia o impacto positivo, embora operasse em leve queda no início do pregão. Às 10h11, o indicador recuava 0,76%, situando-se em 186,2 mil pontos. No dia anterior, quarta-feira, 06 de maio, o Ibovespa fechou com alta de 0,5%, em 187,6 mil pontos. A Bolsa brasileira, contudo, acumula valorização de 0,2% em maio e robustos 16,49% em 2026, refletindo a confiança dos investidores no cenário econômico.

Nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Casa Branca, em Washington, para uma reunião de trabalho sobre assuntos bilaterais. A pauta inclui desde questões comerciais e terras raras, até o delicado tema do combate a organizações criminosas.

Dentro do governo brasileiro, as expectativas se dividem. Uma ala sugere cautela, evitando que o chefe do Planalto aborde, por iniciativa própria, temas sensíveis como a possível classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando do Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo dos EUA considera essa possibilidade, mas o Palácio do Planalto rejeita a medida, temendo brechas para interferências externas na soberania nacional.

Embora o combate ao crime organizado seja uma das prioridades de Lula no encontro, a tendência é que o presidente brasileiro não levante a questão do terrorismo espontaneamente. Auxiliares avaliam que um grupo específico no Departamento de Estado norte-americano defende a medida, pressionando por ações mais duras contra o Brasil, o que não refletiria necessariamente a posição de todo o governo dos EUA, nem de Trump.

Outro setor do Executivo, ligado à diplomacia, afasta a possibilidade de um comportamento imprevisível de Trump ou de constrangimento público a Lula. Fontes indicam que não há sinais de um cenário hostil, como já ocorrido em outros encontros internacionais. Para este grupo, não existem fatores que justifiquem uma reação negativa dos EUA. A cooperação bilateral no combate a facções criminosas é histórica e consolidada, e a reunião visa aprofundá-la.

A experiência e o jogo de cintura de Lula são apostas de interlocutores para conduzir a reunião e lidar com eventuais situações delicadas, garantindo que o diálogo mantenha o foco nos interesses mútuos.

O encontro ‘olho no olho’ entre Lula e Trump acontece em um momento de redefinição das relações de poder globais. Analistas ouvidos pelo Metrópoles veem a reunião como uma tentativa de Donald Trump de reposicionar a influência da Casa Branca na América Latina e assegurar insumos estratégicos para os EUA, em meio à intensa disputa de grandes potências e à corrida por recursos essenciais.

Do ponto de vista norte-americano, a reunião oferece oportunidades estratégicas. O eixo econômico é primordial: o principal interesse do governo Trump é selar um acordo sobre minerais críticos e terras raras, vitais para semicondutores, inteligência artificial, indústria bélica e transição energética. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial desses minerais, torna-se um ator central para os EUA reduzirem a dependência da China, líder no setor.

Outro ponto sensível é o comércio e a regulação econômica. Washington tem intensificado críticas a práticas brasileiras em áreas como etanol, serviços digitais, audiovisual, regulação de plataformas e até sistemas financeiros como o Pix. Internamente, o governo Trump monitora o avanço de empresas brasileiras como a JBS no mercado norte-americano, alimentando pressões protecionistas do agronegócio local. Há também uma dimensão estratégica menos explícita: o monitoramento de fluxos financeiros e digitais, parte de uma lógica de competição global onde segurança econômica e política externa estão cada vez mais interligadas.

Com a perspectiva de paz no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo continuavam a operar em baixa nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, refletindo o maior otimismo dos mercados globais. Por volta das 8h35 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 3,58%, negociado a US$ 91,68.

No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) tombava 3,02%, ainda abaixo de US$ 100, cotado a US$ 98,21. Na sessão de quarta-feira, 06 de maio, o petróleo já havia fechado em queda expressiva, com o WTI para junho caindo 7,03%, a US$ 95,08, e o brent para julho cedendo 7,83%, a US$ 101,27. Essa queda alivia a pressão sobre os custos de transporte e energia globalmente, beneficiando consumidores e indústrias.

O presidente Donald Trump defendeu a guerra, mesmo com custos econômicos elevados. "O preço do petróleo poderia ter chegado a US$ 200, US$ 250, mas agora está em US$ 100. Acho que você está surpreso, e eu também. Mas mesmo que tivesse chegado a US$ 200, teria valido a pena", declarou Trump. A fala ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Na visão de Trump, os custos econômicos da escalada militar se justificariam diante dos objetivos estratégicos dos EUA na região, associando o conflito ao controle das rotas energéticas globais e à contenção do programa nuclear iraniano. O chefe da Casa Branca também revelou encontros recentes com executivos das gigantes petrolíferas norte-americanas Chevron e ExxonMobil, focados na expansão das operações na Venezuela e nos impactos da guerra sobre o setor energético.

O Irã confirmou que negociações pelo fim da guerra com os EUA estão em andamento, mas negou qualquer discussão nuclear nesta fase. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, disse à agência iraniana Isna que o Irã analisa uma proposta dos EUA. Na quarta-feira, 06 de maio, o jornal norte-americano Axios publicou que os dois países se aproximam de um memorando para encerrar o conflito, que incluiria uma moratória sobre o enriquecimento de urânio por parte do Irã, e, em troca, a suspensão de sanções dos EUA e a liberação de ativos iranianos congelados.

Baghaei, contudo, afirmou que a reportagem inclui "exigências excessivas e irrealistas que foram veementemente negadas pelo Irã". Trump, por sua vez, publicou nas redes sociais na quarta-feira, 06 de maio, que a guerra terminará se o Irã "ceder o que foi acordado", mas ameaçou bombardear o Irã "mais intensamente" caso não concordem, sem especificar o teor do acordo.

O Axios, citando fontes da Casa Branca e extraoficiais, aponta que a parte norte-americana vê um acordo mais próximo do que jamais esteve desde o início da guerra. A agência Reuters, citando uma fonte do Paquistão, mediador das conversas, confirmou as informações.

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