GAMES VIRAM NEGÓCIO
Mercado de games no RN se consolida como fonte de renda e profissionalização
Jovens do RN transformam hobby em profissão, impulsionados por eventos, criação de conteúdo e novas estruturas de capacitação no setor.
O mercado de games e e-Sports no Rio Grande do Norte (RN) está se consolidando como uma nova e promissora frente da economia criativa. Jovens do estado têm transformado o que antes era um hobby em profissão, renda e oportunidade de negócio, impulsionados por campeonatos, produção de conteúdo e a criação de novas estruturas de capacitação no setor. A iniciativa de transformar o universo dos videogames em trabalho reflete um movimento de crescimento que atrai cada vez mais talentos e investimentos para a região.
A trajetória de Peter, jogador profissional de Free Fire, ilustra essa transformação. Aos 15 anos, ele foi a uma competição em Natal como espectador, mas uma oportunidade de última hora o levou a participar e vencer, chamando a atenção de equipes. Aos 19, já mora em São Paulo e disputa a Liga Brasileira da modalidade, tendo participado de mundiais na Arábia Saudita e buscando classificação para a edição na França. "Além de você estar vivendo do que gosta, você tem a oportunidade de mudar de vida", afirma.
Outro exemplo é Eugênio Filho, conhecido como "EuJegue", que encontrou na criação de conteúdo sobre Valorant uma carreira. Residente em São Paulo do Potengi, ele acumula milhares de seguidores em plataformas como TikTok, Instagram, YouTube e Twitch, mantendo parcerias com grandes marcas e participando de eventos nacionais e internacionais. "Parecia um sonho muito distante, ganhar dinheiro jogando videogame, ainda mais no interior do RN", relata.
O crescimento do setor é evidenciado por iniciativas como o primeiro Hub de Games e e-Sports do Nordeste, inaugurado em janeiro de 2024 em Natal pela Digicom, com apoio do Sebrae-RN. O espaço já reúne cerca de 150 jogadores ativos e oferece treinamento, assessoria de imagem, acompanhamento psicológico e orientação jurídica, buscando profissionalizar os atletas. A Federação de Esportes Eletrônicos do RN (FERN), fundada no mesmo ano, conta com 15 times filiados em diversas modalidades.
Eventos como a GGCON, festival de games, cultura geek e e-Sports criado em 2017, também impulsionam a economia. O evento atrai mais de 50 mil participantes e movimenta uma cadeia econômica que envolve cerca de 30 lojistas, gerando aproximadamente R$ 3 milhões em negócios durante sua realização. O mercado abrange diversas frentes: eventos, criação de conteúdo, desenvolvimento de jogos e prestação de serviços, ecoando em áreas como design, transmissão, marketing e psicologia esportiva.
A profissionalização do cenário é fortalecida pela criação de estruturas permanentes de treinamento. A Digicom, fundada em 2016, ampliou sua atuação para formação de jogadores e desenvolvimento de eventos, buscando suprir a necessidade de continuidade e estrutura para quem deseja seguir carreira no mercado. "A gente percebeu que existia o campeonato, existia o menino talentoso, mas faltava continuidade", explica Tábata Diniz, presidente da FERN.
O reconhecimento institucional também é um marco. Em 2024, o Rio Grande do Norte sancionou a Lei nº 11.796, que regulamenta a prática esportiva eletrônica e reconhece oficialmente os praticantes como atletas. A legislação estabelece diretrizes voltadas à inclusão, socialização e desenvolvimento intelectual, prevendo apoio a federações e entidades do setor. "Esse reconhecimento ajuda a abrir portas, fortalecer projetos e mostrar que os esportes eletrônicos são também uma atividade profissional e econômica", afirma Tábata Diniz.
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