VIOLÊNCIA E IMPUNIDADE
Mensagens revelam crueldade de vigilantes que torturavam pessoas em situação de rua no ES
Conversas obtidas pela Polícia Civil detalham como o grupo sequestrava, agredia e compartilhava vídeos de tortura como forma de diversão.
Registros de mensagens trocadas por um grupo de vigilantes revelam que as agressões contra pessoas em situação de rua eram planejadas e tratadas com naturalidade pelos suspeitos. As provas integram o processo que investiga o sequestro, a tortura e a morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, ocorrido em março deste ano.
O conteúdo das conversas, revelado pela Polícia Civil, demonstra que as ações não eram episódios isolados, mas parte de uma prática sistêmica de violência. Em um dos áudios, um dos investigados descreve a abordagem de uma vítima — levada a um local sem câmeras para ser espancada — classificando o ato como "terapia".
O nível de brutalidade incluía a filmagem e o compartilhamento das sessões de tortura no grupo de mensagens. Em um dos casos relatados durante a investigação, o suspeito Saimon Sales Cesar, de 30 anos, era chamado pelo apelido de "Tiradentes" por utilizar um alicate para arrancar os dentes de vítimas capturadas durante a madrugada.
A investigação aponta que, em 8 de março, os suspeitos localizaram Marcos Vinícius enquanto ele dormia. Fotos e vídeos enviados ao grupo mostram a vítima imobilizada enquanto sofria as mutilações. A perseguição final ao homem ocorreu após um furto na Praia do Suá, em Vitória. Em 17 de março, ele foi sequestrado e levado para uma área de mata na Serra, onde foi morto. O corpo foi encontrado pela Polícia Civil em 20 de abril.
Ao todo, nove pessoas foram denunciadas à Justiça pelo caso. Destas, oito vigilantes mantinham um vínculo estável de trabalho há pelo menos dois anos, enquanto o nono integrante atuava como coordenador de videomonitoramento. Até o momento, oito suspeitos foram presos durante as fases da Operação Invisíveis, enquanto um permanece foragido.
A defesa dos acusados não foi localizada para comentar as denúncias. A empresa de segurança onde os envolvidos trabalhavam nega participação nos crimes e afirma desconhecer a conduta dos funcionários. O caso permanece sob apuração do Poder Judiciário.
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