PREVENÇÃO É CHAVE

Médicos alertam: hábitos da vida adulta determinam qualidade da velhice

Homem idoso amarrando o cadarço de tênis em uma academia, simbolizando a importância da saúde e atividade física na terceira idade.
Homem na terceira idade amarrando o cadarço de tênis em ambiente de academia - Metrópoles - envelhecimento

Especialistas destacam que ações como exercícios, alimentação e sono adequados na juventude e meia-idade impactam diretamente a saúde e autonomia na terceira idade.

A busca por uma vida mais longa e com qualidade na terceira idade começa muito antes. Especialistas em saúde alertam que a forma como os brasileiros vivem hoje — entre eles, os hábitos de vida adulta — molda diretamente o bem-estar e a autonomia quando atingem a velhice. A decisão, tomada por diversos profissionais da saúde e embasada por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam um recorde na expectativa de vida, reforça a necessidade de priorizar a prevenção e a manutenção da saúde ao longo de todas as fases da vida. Isso importa porque não basta apenas viver mais; é crucial garantir que esses anos adicionais sejam vividos com dignidade, saúde e independência.

Em 2024, a expectativa de vida ao nascer no Brasil atingiu 76,6 anos, um marco histórico segundo o IBGE. Para quem já completou 60 anos, a projeção é de viver, em média, mais 22,6 anos. Esse cenário demográfico, com uma população idosa crescente — que poderá representar quase 38% até 2070, conforme projeções do IBGE —, impõe um novo desafio: envelhecer com saúde e autonomia, e não apenas por mais tempo.

Alexandre Duarte, médico, professor e pesquisador em fisiologia metabólica e hormonal, fundador do Instituto Avantgarde, enfatiza que o foco deve ir além do aumento da longevidade. O objetivo, segundo ele, é prolongar o período em que a pessoa mantém sua capacidade física e cognitiva. "O objetivo não deveria ser apenas aumentar o número de anos vividos, mas ampliar o período da vida em que a pessoa consegue trabalhar, caminhar, praticar atividade física, manter autonomia e preservar a capacidade cognitiva", explica Duarte. Ele ressalta que muitos pacientes chegam aos 70 anos com limitações de saúde que poderiam ter sido prevenidas, como perda de massa muscular, resistência à insulina e sedentarismo. "O adoecimento não precisa ser natural. Grande parte das pessoas procura assistência quando a doença já está instalada, mas existe uma longa fase anterior em que o organismo já demonstra sinais de perda de eficiência metabólica. É justamente nesse período que a prevenção produz maior impacto", alerta.

Gustavo Feil, médico especializado em Ciências da Longevidade Humana e Nutrologia, aponta hábitos simples que contribuem significativamente para um envelhecimento saudável. "Manter-se hidratado é essencial para garantir o bom funcionamento do organismo, ainda mais em idades mais avançadas, quando a desidratação pode levar a complicações de saúde significativas", afirma.

  • Praticar exercícios físicos regularmente, com ênfase em treinamento de força.
  • Manter uma alimentação equilibrada.
  • Garantir um sono de qualidade e gerenciar o estresse.
  • Realizar acompanhamento médico periódico.
  • Cuidar da saúde ativamente antes do surgimento de limitações físicas.

A preservação da massa muscular, combatendo a sarcopenia, é outro fator crucial destacado por Duarte para manter a autonomia. Ele alerta que o peso corporal isoladamente não reflete um estado de saúde ideal, pois uma pessoa pode ter peso normal, mas baixa massa muscular e excesso de gordura visceral. "O peso isoladamente não traduz o estado de saúde“, enfatiza. A adoção de alimentação adequada, exercícios de força, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento clínico desde a vida adulta são estratégicos. "Quanto mais cedo se investe na saúde metabólica, maiores são as chances de envelhecer com autonomia", conclui.

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