RISCO TRANSFERIDO
Master transferiu risco de R$ 3,6 bilhões para fundo SDG II, que hoje acumula R$ 5,4 bilhões em ativos
Operação retirou créditos de má qualidade do balanço do Banco Master, permitindo novas captações. O fundo SDG II assumiu os débitos e a cobrança dos devedores.
Em uma manobra financeira que transferiu R$ 3,6 bilhões em empréstimos de risco do Banco Master para o fundo SDG II, a instituição bancária buscou reorganizar seu balanço. A decisão, informada pela Folha de São Paulo, retirou créditos de má qualidade da instituição, liberando espaço para captação de novos recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e a consequente concessão de mais empréstimos. O impacto direto dessa operação recai sobre os cotistas do SDG II, que agora assumem o risco de inadimplência e a responsabilidade pela cobrança dos devedores, com o objetivo de manter a saúde financeira do Banco Master.
O esquema envolvia um ciclo financeiro onde captação de CDBs alimentava empresas de fachada, que por sua vez repassavam os valores para a compra dos próprios empréstimos originados pelo Master. Essa estrutura permitia que os calotes, em vez de serem registrados nos controles do Banco Central, fossem alocados em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), como o SDG II. Essa prática impacta a transparência e a alocação correta de riscos no sistema financeiro, afetando a confiança dos investidores.
Atualmente, o fundo SDG II mantém suas operações ativas, gerenciando um patrimônio de R$ 5,4 bilhões em ativos. De acordo com informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o fundo possui dois cotistas. Um deles é o Hans 95, um fundo já identificado pelo Banco Central (BC) como peça central em uma rede de fraudes associada ao Banco Master. O outro cotista é a MKS Soluções Integradas, uma das 36 empresas investigadas por supostas simulações de empréstimos na instituição. Essas operações analisadas ocorreram entre 2020 e 2024.
Dentre as empresas que mais receberam recursos, destaca-se a Lormont Participações, ligada ao empresário Nelson Tanure, com um montante de R$ 553 milhões. Em seguida, figura o Banvox, do ex-sócio de Vorcaro, Mauricio Quadrado, com uma debênture de R$ 380 milhões alocada no fundo. O Banco Master não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre essas operações. A dignidade dos cotistas e a responsabilização dos envolvidos são pontos cruciais nesta investigação.
O SDG II faz parte de um grupo maior de 82 FIDCs associados à rede do Banco Master, identificados pela Folha de São Paulo, que somam R$ 65,5 bilhões em ativos. Outro fundo neste grupo, o Lancia!, ilustra como devedores utilizavam aditivos contratuais para adiar sucessivamente o pagamento de seus débitos. Um exemplo é a NGV SPE, ligada ao ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que possuía R$ 30 milhões em debêntures no Lancia!. Os vencimentos foram postergados pelo menos três vezes entre 2018 e 2024. Lima não se pronunciou sobre o caso.
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