SEGURANÇA PÚBLICA

CV realiza "1º Aulão de Drone" no RJ para treinar ataques com bombas

Vista aérea de comunidade no Rio de Janeiro relacionada ao treinamento de drones.
Imagens aéreas revelam a operação de drones pelo tráfico no Complexo da Penha.

Facção criminosa adapta drones para arremessar explosivos em ataques. Autoridades alertam para o risco de cooptação de jovens em cursos de tecnologia na capital.

Integrantes do Comando Vermelho (CV) organizaram um treinamento focado na operação de drones para fins bélicos no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A iniciativa, batizada pela própria facção como “1º Aulão de Drone”, foi exposta por vídeos e convocações digitais, evidenciando uma estratégia do crime organizado em transformar ferramentas de monitoramento em equipamentos de ataque.

O ex-secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), delegado Felipe Curi, apresentou o material que expõe a reunião de dezenas de traficantes armados com fuzis. Segundo o relato, a ação de treinamento foi identificada inicialmente através do Twitter, sendo monitorada pelo trabalho de inteligência policial. Embora as condições climáticas tenham forçado o adiamento da instrução presencial na data da convocação, a confirmação visual da prática consolida o temor das autoridades sobre a evolução tática do narcotráfico.

O uso de drones pelo CV ultrapassou a vigilância básica, evoluindo para a adaptação dos dispositivos visando o lançamento de granadas e artefatos explosivos. Este cenário, reforçado por alertas emitidos pelo delegado Felipe Curi há cerca de 10 dias, expõe a modernização do crime, que agora busca a especialização técnica em larga escala para confrontar grupos rivais e forças de segurança.

A modernização criminosa levanta um grave alerta social quanto à cooptação de jovens moradores de comunidades. Com a proliferação de cursos legítimos de pilotagem de drones, especialistas temem que integrantes de facções busquem essas formações ou aliciem profissionais qualificados por meio do assédio do tráfico, que oferece ganhos ilícitos em detrimento de carreiras formais.

Para o delegado Felipe Curi, o impacto dessas ações atinge diretamente a dignidade da juventude periférica. Ao defender a necessidade de oportunidades de trabalho e profissionalização real, o ex-secretário ressalta que o caminho para o progresso deve ser distante da influência das facções, que utilizam o avanço tecnológico para impor o terror e restringir as perspectivas de vida dos residentes nas áreas sob domínio do crime.

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