DECISÃO HISTÓRICA

Lula sanciona lei que cria a Universidade Federal Indígena do Brasil

Sala de aula preparada para receber estudantes.
Imagem ilustrativa de uma sala de aula.

Primeira instituição de ensino superior do país dedicada aos povos originários começa a funcionar em 2027. Cargos de reitoria serão ocupados por docentes indígenas.

Em uma decisão sem precedentes para a educação superior no Brasil, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, a lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind). A iniciativa representa um marco significativo, estabelecendo a primeira instituição de ensino superior do país explicitamente voltada para as realidades e os saberes dos povos originários. A medida não é apenas uma conquista para a comunidade indígena, mas um avanço fundamental na garantia de dignidade e no reconhecimento da diversidade cultural brasileira, promovendo um diálogo necessário entre conhecimentos tradicionais e ciências contemporâneas.

A Unind tem previsão de início de suas atividades em 2027, com o objetivo primordial de atender aos interesses da população indígena brasileira, que até então não dispunha de um espaço universitário dedicado ao seu desenvolvimento e representatividade. A sede da universidade será em Brasília, mas sua estrutura prevê campi distribuídos por diversas regiões do país. Essa descentralização visa abranger a vasta diversidade linguística e cultural dos povos indígenas, fortalecendo o acesso e a pertinência do ensino superior.

Sala de aula sendo preparada para receber alunos.
Imagem ilustrativa de uma sala de aula.

Vinculada ao Ministério da Educação, a nova universidade operará sob as mesmas diretrizes de organização, gestão e financiamento das demais instituições federais. A proposta assegura a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, adaptando-a às especificidades e ao foco da Unind. O corpo docente da instituição terá a obrigação de ser composto majoritariamente por professores indígenas, garantindo que a gestão e o ensino reflitam as perspectivas e os saberes ancestrais. O primeiro reitor será nomeado provisoriamente pelo Ministro da Educação, até que a universidade defina seu estatuto e proceda à escolha de seu dirigente permanente.

Os cursos oferecidos pela Unind abrangerão áreas estratégicas para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, incluindo gestão ambiental e territorial, políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias, e formação de professores. Essa abordagem multifacetada garante que a universidade seja um polo de inovação e preservação cultural.

A instituição também poderá estabelecer processos seletivos próprios, alinhados à Lei de Cotas, com o intuito de garantir um percentual mínimo de vagas para candidatos indígenas. Tais processos levarão em consideração a riqueza linguística e a diversidade cultural desses povos, promovendo a inclusão e a equidade no acesso ao ensino superior. Rita Potyguara, representante do Fórum de Educação Indígena, celebrou a sanção: "Esta universidade deixa de ser apenas um sonho e passa a ser uma política de Estado. [...] A universidade será espaço onde conhecimentos tradicionais dialogam com as diferentes áreas das ciências contemporâneas. Um espaço onde as línguas indígenas terão força, presença e reconhecimento institucional."

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