AUTONOMIA ESTRATÉGICA

Lula rechaça aliança exclusiva para terras-raras e celebra soberania

Lula e Trump se cumprimentam durante encontro oficial nos Estados Unidos para debater cooperação estratégica sobre minerais críticos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em reunião em Washington. Foto: Poder360.

Brasil mantém portas abertas a todos em minerais críticos, frustrando pressão dos EUA. Encontro com Trump durou 3 horas.

O Brasil reafirmou sua autonomia estratégica em um movimento de grande impacto geopolítico, ao não firmar uma aliança exclusiva com os Estados Unidos para a exploração de terras-raras. A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciada após encontro com o líder norte-americano Donald Trump nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, foi imediatamente celebrada pelo jornal estatal chinês Global Times nesta sexta-feira, 08/05/2026, que a considerou positiva para a China. O posicionamento brasileiro de não dar preferência a nenhum país na busca por minerais críticos sublinha a intenção de buscar parcerias amplas, fortalecendo a soberania nacional e influenciando diretamente a dinâmica global do setor tecnológico.

Um especialista, consultado pelo Global Times, revelou que o presidente brasileiro resistiu à pressão de Trump por um acordo de exportação de terras-raras aos EUA. Tal acordo daria aos norte-americanos uma vantagem crucial na montagem de sua cadeia de mineração de minerais críticos. “Nós não temos preferência. O que nós queremos é fazer parceria”, declarou Lula após a reunião de 3 horas com Trump.

A postura de Lula evidencia a determinação do Brasil em resistir a pressões externas e manter sua independência estratégica. Zhang Xiaorong, diretor do Instituto de Pesquisa de Tecnologia de Ponta, afirmou ao Global Times que “Em vez de aderir a uma aliança exclusiva de terras-raras liderada pelos EUA, o Brasil está se posicionando como um ator industrial independente, alavancando suas vantagens em recursos naturais para ir além de seu papel tradicional como exportador passivo de matéria-prima”.

O que são terras-raras?

Terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos que, embora presentes em pequenas quantidades, desempenham um papel insubstituível em tecnologias modernas essenciais, como smartphones, câmeras digitais e LEDs. A demanda por esses minerais é crescente, tornando-os cruciais para a indústria de alta tecnologia e a economia global.

Detentor da 2ª maior reserva mundial de terras-raras, conforme dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), o Brasil é um ator cobiçado por EUA e China na formação de alianças para a extração e o refino desses minérios. Para os EUA, a urgência é maior: eles veem o país sul-americano como um parceiro ideal, pela proximidade geográfica, para alavancar sua indústria de mineração e reduzir a dependência chinesa.

A China, por sua vez, controla cerca de 90% do refino e processamento global de terras-raras e possui a maior reserva de minérios do planeta. Mesmo com uma vantagem considerável sobre os Estados Unidos, os chineses também consideram o Brasil essencial para manter os EUA longe de desafiar seu domínio no mercado global.

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