DECISÃO ESTRATÉGICA

Lula prioriza viagens a estados com baixo desempenho eleitoral em 2022 antes do defeso eleitoral

Presidente Lula em evento oficial com bandeiras do Brasil ao fundo.
Presidente Lula com duas bandeiras do Brasil atrás

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foca agendas em regiões com desempenho eleitoral inferior em 2022, buscando fortalecer palanques para outubro. Restrições do defeso eleitoral impulsionam o ritmo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou o ritmo de viagens pelo Brasil, impulsionado pelo prazo final para inaugurações conforme estabelece a legislação eleitoral. A partir de 4 de julho, candidatos ao pleito de outubro ficam impedidos de participar de inaugurações e outras agendas que possam configurar propaganda eleitoral antecipada, período conhecido como “defeso eleitoral”. O objetivo é reforçar palanques em estados onde o desempenho em 2022 foi inferior.

Em busca de otimizar o tempo antes das restrições, o chefe do Planalto intensificou compromissos em locais estratégicos. Desde segunda-feira (22/6), Lula esteve no Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nesta sexta, a agenda segue para Santa Catarina, um reduto eleitoral com histórico de preferência por Jair Bolsonaro (PL).

No Rio de Janeiro, o presidente buscou consolidar apoio à candidatura do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) à reeleição. A parceria é vista como fundamental para fortalecer o PT no estado, onde Bolsonaro obteve 56,53% dos votos contra 43,47% de Lula em 2022. O Rio de Janeiro representa o terceiro maior colégio eleitoral do país, tornando a região uma peça-chave para a campanha de reeleição.

Em São Paulo, a estratégia envolve o fortalecimento da chapa encabeçada pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) para as eleições de outubro. Em reunião recente, Lula discutiu com Haddad e aliados a configuração da campanha, que contará com Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador e Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) como candidatas ao Senado. Em 2022, São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, viu Bolsonaro obter 55,24% dos votos, enquanto Lula alcançou 44,76%.

Entenda o Defeso Eleitoral

  • O período de defeso eleitoral se inicia três meses antes do primeiro turno das eleições e se estende até a posse dos eleitos.
  • Visa garantir a igualdade na disputa, impedindo o uso da máquina administrativa.
  • Proíbe condutas como nomeações e exonerações sem justa causa, contratações, participação em inaugurações de obras e transferências voluntárias de recursos.
  • A publicidade institucional é vedada, exceto em casos de grave e urgente necessidade pública, reconhecida pela Justiça Eleitoral.
  • É proibido o uso de elementos que permitam identificar autoridades, governos ou autoridades que disputem cargo.

Foco em Redutos Eleitorais com Rejeição

A agenda de Lula também inclui compromissos em estados onde o PT enfrenta maior resistência. No Mato Grosso do Sul, predominantemente agropecuário, Bolsonaro superou Lula em 2022 com 59,49% dos votos contra 40,51%. O presidente visitou cidades como Ponta Porã e Três Lagoas, participando da inauguração de obras em aeroportos e visitando uma fábrica de fertilizantes. Lula aproveitou para declarar apoio ao pré-candidato ao governo Fábio Trad (PT) e aos pré-candidatos ao Senado Vander Loubet (PT-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS), visando ampliar a bancada do partido na região.

Em Santa Catarina, estado que deu mais de 69% dos votos a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, Lula participou do lançamento da terceira embarcação do programa Fragatas Classe Tamandaré, da Marinha, em Itajaí. A disputa estadual se apresenta desafiadora, com o governador Jorginho Mello (PL-SC), apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), liderando as pesquisas de intenção de voto. Lula aposta na aliança com partidos de esquerda, apoiando a candidatura do ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB).

Durante sua visita a Santa Catarina, o presidente criticou a postura do governador Jorginho Mello por recusar parcerias com o governo federal, questionando a qualidade de suas decisões e ressaltando que interesses pessoais não devem sobrepor aos do estado. Lula mencionou o investimento de R$ 3,2 bilhões em rodovias e a diferença de abordagem entre o governo de Santa Catarina e o do Paraná na cooperação para obras de infraestrutura, lamentando a falta de participação do chefe do Executivo estadual em projetos de grande porte.

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