MEMÓRIA E JUSTIÇA

Lula expõe dossiê da pandemia e cobra responsáveis

Lula exibe dossiê sobre gestão Bolsonaro na pandemia durante sanção de lei no Palácio do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibe o dossiê "Gestão Bolsonaro e a Pandemia de Covid-19" durante cerimônia de sanção da lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, no Palácio do Planalto, em Brasília

Documento do Ministério da Saúde detalha gestão Bolsonaro na Covid-19. Presidente estima 400 mil mortes evitáveis.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibiu nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, no Palácio do Planalto, um detalhado “dossiê” produzido pelo Ministério da Saúde, expondo a gestão de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19. A iniciativa, realizada em meio à sanção da lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, visa a que militantes disseminem o material para que a sociedade não esqueça as falhas e declarações controversas do governo anterior, buscando justiça e prevenindo que erros semelhantes se repitam no futuro.

O documento, intitulado “Gestão Bolsonaro e a Pandemia de Covid-19”, foi formalmente apresentado durante a cerimônia que marcou a instituição da data em homenagem às vítimas. Anualmente, em 12 de março, a nação recordará Rosana Aparecida Urbano, técnica de enfermagem e a primeira pessoa no Brasil a ter a morte registrada pela doença. A escolha da data ressalta a importância de preservar a memória e a dignidade daqueles que foram perdidos.

Lula enfatizou a necessidade de que o conteúdo do dossiê chegue às mãos de cada cidadão engajado. “É importante que cada militante tenha isso aqui na mão, porque aqui tem tudo que foi a desgraça que eles falaram durante 2 anos de pandemia”, declarou o presidente, sublinhando a gravidade das afirmações e ações contidas no compilado.

O dossiê, cuidadosamente organizado por temas, reúne declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro e reportagens da época. Destacam-se capítulos como “Descaso com as mortes de crianças”, que aponta para uma declaração polêmica de Bolsonaro sobre óbitos infantis por Covid-19; “ataque à vacinação infantil e ameaça a servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”; e “associação de vacinas à Aids”. Além disso, o documento resgata a frase de Bolsonaro em dezembro de 2020, quando o Brasil voltava a registrar mais de mil mortes diárias: “a pressa da vacina não se justifica”.

Em um apelo direto, Lula cobrou a identificação pública dos responsáveis pela condução da pandemia. “Só tem sentido criar alguma coisa para lembrar o passado se a gente conseguir cravar o nome de quem foi responsável”, afirmou, ressaltando o clamor por accountability.

O presidente também dirigiu críticas a três dos quatro ministros da Saúde que atuaram no período. Luiz Henrique Mandetta “parecia que entendia um pouquinho”, Nelson Teich era um “vendedor de remédio” e Eduardo Pazuello “dava a impressão de que não sabia absolutamente nada”, pontuou Lula, que também lamentou a passividade de entidades médicas e sindicatos. “Se a gente não der o nome, as pessoas não são conhecidas. Se a gente ficar na passividade e acontecer outra pandemia, eles vão agir do mesmo modo”, alertou.

Lula apresentou uma estimativa contundente: com “o cuidado mínimo”, cerca de 400 mil das mais de 700 mil mortes registradas no país poderiam ter sido evitadas. Essa projeção ressalta o profundo impacto da gestão sanitária na vida dos brasileiros.

A cerimônia contou com a presença de figuras importantes, incluindo o ministro Alexandre Padilha, a primeira-dama Janja Lula da Silva e representantes de associações de vítimas. Janja, que teve a mãe vitimada pela Covid-19, expressou sua profunda dor e revolta: “Ver pessoas que ajudaram a esse quadro andando livremente pelo país, inclusive eleitos, causa muita revolta”. A primeira-dama, visivelmente emocionada, derramou lágrimas durante o evento, personificando o sofrimento de milhões de famílias.

Assista ao evento:

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