G7: O SALDO

Lula e Trump trocam farpas no G7: Brasil endossa apenas três de oito declarações

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião durante a cúpula do G7 na França, com foco em discussões diplomáticas.
Presidente Lula em reunião do G7, na França. — Foto: EPA/Shutterstock

Presidente brasileiro participa de reuniões tensas com Donald Trump e garante diálogo com Zelensky. UE mantém veto a carnes brasileiras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou sua décima participação em uma cúpula do G7, fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta. O Brasil participou como convidado, ao lado de outros países em desenvolvimento, em um encontro marcado por tensões diplomáticas e decisões impactantes.

Na quinta-feira, 18/06/2026, o presidente brasileiro teve reuniões privadas com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza. O ponto alto, no entanto, foi a interação com o presidente americano, Donald Trump, cujas relações estavam sob tensão devido à possibilidade de novas tarifas e à classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas.

Após o término do fórum, em coletivas de imprensa separadas, ambos trocaram farpas. Trump declarou que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político", citando de forma equivocada uma condenação judicial no país. Em resposta, Lula endossou sua visão de que o contraparte age como um "imperador" e afirmou que "o Brasil não pode se sentir intimidado". "Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil", declarou o petista.

A participação brasileira também envolveu a discussão sobre a classificação de países como terroristas, um tema sensível para as relações bilaterais. O Palácio do Planalto reiterou a disposição em continuar as negociações com Washington sobre a possível taxação extra de 25% sobre importações brasileiras.

Na França, o Brasil encerrou sua participação no fórum endossando apenas três das oito declarações publicadas pelos países membros do G7 (Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão). Os textos assinados pelo país tratavam do combate ao câncer, da garantia de um espaço digital seguro para crianças e adolescentes e da luta contra o tráfico de drogas. Segundo fontes diplomáticas, esse saldo evidencia uma distância entre Brasília e o grupo das sete principais economias do mundo em diversos tópicos.

Em outra frente diplomática, o presidente Lula se reuniu a portas fechadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Lula descreveu o encontro como o melhor que já teve com o ucraniano, sentindo-o "com disposição de encontrar solução" para o conflito. O presidente brasileiro reforçou a importância de os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU agirem de forma mais efetiva para acabar com a guerra e se comprometeu a contatar os cinco membros permanentes para reforçar essa necessidade.

Um ponto de atenção particular foi a reunião bilateral com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu. Pouco antes do G7, a UE oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, com veto previsto para entrar em vigor a partir de 3 de setembro. A falta de comprovação de atendimento a exigências sanitárias europeias foi o motivo alegado. Embora o veto não tenha sido suspenso, foi estabelecido um acompanhamento mais próximo das negociações sobre padrões fitossanitários, buscando acelerar o processo com uma visão mais "política".

Às margens da cúpula, o Brasil também avançou em negociações comerciais. O Mercosul e o Japão anunciaram o lançamento formal das negociações de um acordo de parceria econômica, com a inauguração prevista para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul em Assunção, no Paraguai. A iniciativa visa a diversificação comercial do Japão e fortalece a posição do Mercosul como parceiro relevante.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário