GOVERNO REAGE A CLASSIFICAÇÃO
Lula critica Flávio Bolsonaro após EUA classificarem facções brasileiras como terroristas
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusa senador de traição e pede aprovação de PEC. Ministérios da Justiça e Relações Exteriores ainda analisam impacto da decisão americana.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, após os Estados Unidos anunciarem a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. Lula associou diretamente a atuação do opositor à decisão do governo de Donald Trump e passou a usar o ocorrido para criticar os bolsonaristas. A posição oficial do Palácio do Planalto, divulgada cerca de 18 horas após o anúncio americano, classificou a atuação da família Bolsonaro nos EUA como “deplorável”.
Apesar da resposta presidencial e do comunicado do Planalto, órgãos como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Itamaraty, responsáveis pela diplomacia brasileira, ainda não emitiram posicionamento oficial sobre a decisão americana e estão analisando a melhor forma de agir em relação à classificação das facções criminosas brasileiras. A medida, anunciada na quinta-feira, 28 de maio de 2026, considera o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
Em paralelo à divulgação da nota do Planalto, durante agenda oficial em Sergipe, o presidente Lula adotou uma postura mais dura, chamando o senador Flávio Bolsonaro de “traidor”. "Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", declarou o chefe do Executivo. Lula também fez referência a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, insinuando que uma intervenção americana seria mais eficaz contra milicianos.
O presidente utilizou a ocasião para defender a soberania nacional e reforçar o pedido de aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta em tramitação no Senado desde março de 2026, após aprovação pela Câmara dos Deputados. "Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia, não duvidem das coisas que nós fazemos nesse país. Se quiser combater o crime organizado, aprove a PEC da Segurança Pública que está no Senado", instou.
O comunicado do Planalto reiterou o compromisso do Brasil com a soberania nacional e o combate ao crime organizado. "O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro", assegurou o governo. A nota também destacou a importância de parcerias internacionais para combater o crime organizado, que não respeita fronteiras.
Por outro lado, a oposição comemorou a medida americana, associando o presidente Lula ao crime organizado. Em Curitiba (PR), na sexta-feira, 29 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro criticou Lula, afirmando que o presidente buscou apoio de Donald Trump para interesses ligados ao PCC e ao CV. O senador declarou que a oposição tem feito mais pelo Brasil do que as gestões petistas e insinuou que Lula é ameaçado por organizações narcoterroristas ou faz parte delas.
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