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Lula busca fim de tarifas e paz com Trump

Lula busca fim de tarifas e paz com Trump

Presidente brasileiro tenta proteger economia de investigações comerciais e alta de combustíveis em reunião de 07 de maio de 2026.

O governo brasileiro define como pauta primordial o fim das investigações comerciais contra o Brasil e um apelo para encerrar a guerra com o Irã, temas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levará ao homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, na Casa Branca. Esta estratégia busca resguardar a economia nacional de novas tarifas que podem encarecer produtos e empregos, além de mitigar a alta nos preços dos combustíveis, cujas flutuações impactam diretamente o custo de vida e o bolso das famílias brasileiras.

Paralelamente, o presidente Lula sinalizou a aliados sua intenção de solicitar a Trump o fim do conflito com o Irã. Um auxiliar presidencial revelou que o líder brasileiro manifesta profunda preocupação com os efeitos econômicos da guerra, que impulsionam a elevação contínua dos preços dos combustíveis, um fardo pesado para o orçamento de milhões de famílias e para a cadeia produtiva do país.

Esses dois pontos serão centrais na reunião entre os chefes de Estado, que também abordará estratégias conjuntas de combate ao crime organizado. Esta marca a primeira visita oficial de Lula à Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos, desde a posse de Trump no ano anterior.

A equipe brasileira também se prepara para eventuais pautas levantadas pelo próprio presidente dos EUA, como a exploração de minerais críticos no Brasil. Contudo, não existe a expectativa de que qualquer acordo formal seja concretizado durante este encontro.

Auxiliares do presidente Lula avaliam que a discussão sobre uma parceria com os EUA para a exploração de terras raras encontra-se em fase embrionária. Um dos argumentos a ser apresentado aos americanos é a necessidade de aprovação, pelo Congresso brasileiro, de um projeto de lei que regulamenta a exploração desses minerais.

O encontro entre Lula e Trump acontece em um cenário de distensão diplomática recente entre as nações. Anteriormente, o líder americano havia imposto uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros, cancelado vistos de autoridades do Brasil e aplicado sanções financeiras, como a Lei Magnitsky, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Depois de contatos telefônicos e dois encontros presenciais, Trump revogou as medidas. No entanto, permanecem ativas duas investigações sobre práticas comerciais que os EUA classificam como injustas. Estas apurações, baseadas na chamada seção 301, focam no Brasil.

A conclusão dessas duas apurações pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, cenário que o governo Lula busca evitar, dada a ameaça de prejuízos para exportadores e consumidores. As investigações têm previsão de encerramento em julho, o que eleva a urgência e a prioridade do tema para o presidente petista.

As investigações abrangem práticas governamentais relacionadas ao comércio de etanol, desmatamento e o Pix, entre outros. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central oferece tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, acusação que o governo Lula rechaça veementemente.

A intenção dos ministros brasileiros é reafirmar, durante o encontro, que o Brasil já ofereceu justificativas sólidas, demonstrando que nenhuma de suas práticas prejudica os interesses americanos. Segundo o governo, os técnicos dos EUA receberam favoravelmente esses argumentos.

Lula também reiterará que a balança comercial entre as nações é favorável aos EUA. Ele argumentará que aliados de Jair Bolsonaro (PL) tentaram, por motivações eleitorais, convencer os americanos do oposto, distorcendo dados e fatos.

No campo da segurança pública, o ponto central do diálogo será fortalecer a cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional e impedir que os EUA designem o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. Tal classificação, teme o governo, traria sérias repercussões negativas para a imagem e a economia do Brasil no cenário internacional.

Em entrevista concedida nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, confirmou que o governo brasileiro apresentará uma proposta de acordo para o combate ao crime organizado transnacional durante o encontro.

Como demonstração dessa boa vontade e compromisso, o governo brasileiro apresentará a Trump dados da parceria aduaneira entre os EUA e o Brasil. Essa cooperação resultou, entre maio de 2025 e abril de 2026, na apreensão de meia tonelada de armas vindas dos EUA, conforme relatório da Receita Federal.

Isso sublinha a intenção do Brasil de intensificar a cooperação no enfrentamento ao crime organizado, argumentando que a classificação de organizações criminosas como terroristas não é necessária e pode, de fato, gerar impactos econômicos adversos e desnecessários ao país.

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