SEGURANÇA NACIONAL
Lula blinda presídios e mira facções com R$ 1,06 bilhão
Programa "Brasil Contra o Crime Organizado" destina verba para 138 unidades. A continuidade, porém, depende do Senado.
O governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o ambicioso Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Com um investimento total de R$ 1,06 bilhão do orçamento federal, a iniciativa visa combater as facções criminosas em várias frentes, priorizando o enfraquecimento da capacidade de líderes operarem de dentro dos presídios. A medida surge como resposta direta à crescente preocupação da população brasileira com a segurança, impactando diretamente a dignidade e a tranquilidade de comunidades que vivem sob a sombra do crime organizado.

O coração do programa reside no eixo prisional, que concentra a maior aposta política: R$ 330,6 milhões serão direcionados para implantar um padrão de segurança máxima em 138 unidades estratégicas, distribuídas pelos 26 Estados e no Distrito Federal. O objetivo primordial é desmantelar a comunicação e a capacidade de comando que líderes de facções exercem de dentro das cadeias, buscando restaurar a ordem e a paz nas comunidades.
As ações incluem a aquisição de tecnologia de ponta, como drones, scanners corporais, bloqueadores de celular, georradares e modernos sistemas de áudio e vídeo. Além disso, o programa prevê a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP) e o isolamento total de lideranças criminosas em unidades de segurança máxima, visando cortar o elo entre o cárcere e a atuação externa das organizações.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima, ressaltou a importância da ação: “80% das lideranças catalogadas das organizações criminosas estão concentradas nesses sistemas prisionais”. Contudo, o próprio ministro reconheceu a complexidade da meta ao afirmar, durante a cerimônia de lançamento no Palácio do Planalto, que “Não é trivial elevar 138 unidades prisionais a um padrão semelhante ao dos presídios federais”, evidenciando o desafio que se impõe.
O programa é formalizado através de um decreto presidencial e quatro portarias, constituindo um desdobramento direto da lei antifacção sancionada em março. Essa base legal robusta busca dar sustentação às ações de combate.
Os demais recursos do programa são distribuídos em outras frentes cruciais para a segurança pública: R$ 388,9 milhões para a asfixia financeira do crime, com rastreamento de lavagem de dinheiro por meio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs); R$ 201 milhões dedicados ao esclarecimento de homicídios; e R$ 145,2 milhões para o enfrentamento ao tráfico de armas e munições, com a criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (RENARM). Além disso, há uma linha de crédito de R$ 10 bilhões do BNDES disponível para estados e municípios investirem em equipamentos e reformas de presídios.
A sustentabilidade e a continuidade do programa, contudo, enfrentam um obstáculo no Senado, onde a PEC da Segurança Pública está parada desde março. Sem a aprovação dessa Proposta de Emenda à Constituição, os recursos anuais podem ficar sujeitos às variações orçamentárias, o que gera incerteza sobre a perenidade das ações.
A urgência das medidas é corroborada por uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada no domingo, 10 de maio de 2026, que revela um dado alarmante: 41,2% dos brasileiros identificam a presença de facções ou milícias em seus próprios bairros. Este cenário sublinha a necessidade de ações concretas e eficazes para devolver a segurança à população.
Apesar do impacto esperado, o plano não está isento de críticas. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o ex-governador e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) argumentam que a centralização das políticas de segurança pode ferir a autonomia dos Estados, levantando um debate sobre a federação e a gestão da segurança pública no país.
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