DECISÃO JUDICIAL HISTÓRICA

Justiça da França decide que Marine Le Pen pode concorrer à Presidência com tornozeleira eletrônica

Retrato de Marine Le Pen, líder política francesa.
Marine Le Pen, líder da ultradireita francesa, enfrenta decisão judicial que permite sua candidatura presidencial sob condições.

Tribunal de Apelações de Paris impõe pena de prisão com sursis e uso de monitoramento eletrônico a líder da ultradireita, que também fica inelegível por 45 meses, mas com suspensão da pena.

A principal voz da ultradireita francesa, Marine Le Pen, poderá concorrer às eleições presidenciais de 2027, mas sob a condição de usar uma tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada nesta terça-feira (07/07/2026), em Paris, pelo Tribunal de Apelações, que negou parcialmente um recurso da política contra uma condenação por peculato. A resolução impacta diretamente a possibilidade de Le Pen liderar a corrida eleitoral, já que ela é atualmente a líder nas pesquisas de intenção de voto.

A imposição da tornozeleira eletrônica levanta questionamentos sobre a viabilidade logística de uma campanha presidencial sob monitoramento judicial. Diante desse cenário, surge a possibilidade de Le Pen ceder a candidatura ao atual presidente de seu partido, o Reunião Nacional, Jordan Bardella, visto como um nome de forte apelo popular e maior popularidade.

O Tribunal de Apelações de Paris determinou uma pena de três anos de prisão para Le Pen, com dois anos em regime de sursis (suspensão condicional da pena) e um ano de uso obrigatório do dispositivo eletrônico. Adicionalmente, a política foi declarada inelegível por 45 meses, embora esta inegibilidade também tenha 30 meses de suspensão. A decisão força Le Pen a ponderar se aceitará essa circunstância incomum para disputar o pleito, após ter declarado anteriormente que não toleraria tal medida.

Le Pen ainda detém a opção de recorrer à Corte de Cassação, a mais alta instância judicial francesa. No entanto, em manifestações passadas, a líder da ultradireita francesa indicou seu desejo de não prolongar o processo legal. A condenação original, referente ao uso de cerca de € 1,4 milhão (aproximadamente R$ 8,1 milhões) de recursos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido entre 2015 e 2017, já havia sido proferida em 2025.

A parlamentar, que atuou como eurodeputada de 2004 a 2017, tem uma entrevista agendada na TV para esta terça-feira (07/07/2026). Em seu depoimento anterior ao Tribunal de Apelações no início do ano, Le Pen negou a existência de um esquema fraudulento, mas admitiu falhas na gestão de seus assistentes parlamentares. A decisão de hoje gera fortes acusações de ativismo judicial por parte de Le Pen e seus aliados, especialmente pelo momento que coincide com a corrida eleitoral de 2027.

A eleição presidencial de abril de 2027 marcará o fim da era Emmanuel Macron, que não poderá concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Será a quarta vez que Marine Le Pen disputará a Presidência, agora com uma popularidade significativamente maior do que em 2017 e 2022, quando chegou ao segundo turno contra Macron.

Marine Le Pen, filha do negacionista do Holocausto Jean-Marie Le Pen e fundadora da Frente Nacional em 1972, tem se dedicado à tarefa de tornar o partido mais palatável para o eleitorado francês ao longo da última década. Esse esforço incluiu o afastamento de seu pai e a renomeação da sigla. Em 2022, mesmo sem vencer a presidência, consolidou uma aliança de extrema direita com 143 deputados na Assembleia Nacional, formando a maior bancada do Parlamento francês.

Jordan Bardella, de 30 anos e presidente do Reunião Nacional, representa a nova geração e o rosto de maior apelo da sigla. Conhecido por sua habilidade nas redes sociais, Bardella defende as pautas tradicionais da ultradireita europeia, mas também cultiva uma presença em colunas sociais. Ele mantém um relacionamento com a aristocrata italiana e influencer Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, em uma estratégia que observadores interpretam como uma tentativa de suavizar sua imagem política, ecoando os esforços de Le Pen na última década.

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