DIGNIDADE PÓSTUMA

Justiça avaliará cremação de francesa morta na Paraíba

Homem que matou mulher e colocou corpo dentro de mala é flagrado por câmeras, na PB
A Polícia Civil investiga a morte de Chantal Etiennette Dechaume e seu namorado Altamiro Rocha dos Santos na Paraíba.

Parentes de Chantal Etiennette Dechaume, assassinada em João Pessoa, manifestam desejo, mas trâmite depende de permissão especial por se tratar de crime.

O Consulado da França no Brasil confirmou a localização dos familiares da médica francesa Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, brutalmente assassinada em João Pessoa no mês de março. O encontro da família, crucial para o desfecho da trágica ocorrência, revela um novo impasse: o desejo de cremar o corpo da idosa na Paraíba esbarra na legislação, que exige autorização judicial específica para casos de homicídio, conforme detalhado nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, pela direção do Instituto Médico Legal (IML). Flávio Fabres, diretor do IML, explicou ao g1 que toda a documentação solicitada pelo consulado foi enviada, possibilitando a localização dos parentes da médica. Contudo, Fabres ressaltou a necessidade de um pedido formal à Justiça para a cremação. "Existe um desejo (da família) de fazer a cremação do corpo. Não vejo óbice a isso, mas quem vai determinar é finalmente o juiz de direito. A gente tem, está identificado, causa da morte esclarecida, nenhum exame complementar a ser realizado", afirmou ele. O diretor acrescentou que o prazo usual para retirada do corpo após a identificação é de 30 dias, mas que essa data limite pode ser ampliada, considerando a distância para a França e os trâmites envolvidos. Fabres também informou que o corpo de Altamiro Rocha, namorado da médica e suspeito do crime, permanece no instituto, sem que nenhum familiar tenha entrado em contato para o recolhimento ou organização funerária. Para Altamiro, o enterramento é uma possibilidade em caso de não retirada.

Entenda a tragédia que abalou João Pessoa

A médica Chantal Etiennette Dechaume foi encontrada carbonizada no dia 11 de março. A investigação policial aponta Altamiro Rocha dos Santos, seu namorado gaúcho, como o responsável pelo homicídio. Altamiro, por sua vez, foi encontrado morto um dia depois, no dia 12 de março, no bairro João Agripino, com as mãos amarradas e sinais de decapitação.

A busca por Altamiro Rocha

Segundo a Polícia Civil, Altamiro não possuía renda fixa e era financeiramente sustentado por Chantal, que recebia uma aposentadoria do exterior, estimada em R$ 40 mil. O casal se conheceu na orla de João Pessoa, onde ele vendia artesanato. Durante a pandemia, a médica o abrigou, e o relacionamento teve início. A polícia apurou que Altamiro usava drogas, e a francesa não aceitava essa situação. O desejo de Chantal em encerrar a relação teria motivado o crime. Sobre a morte de Altamiro, a Polícia Civil informou que ele apresentava uma lesão profunda no pescoço. A principal linha de investigação sugere que seu falecimento pode estar ligado à atuação de uma facção criminosa, que teria reagido à repercussão do crime e à intensa presença policial na região. Até o momento, nenhum suspeito foi preso pelo assassinato do namorado.

Homem que ateou fogo no corpo não foi preso

A Polícia Civil da Paraíba identificou o homem que ateou fogo na mala contendo o corpo da médica. O indivíduo, que vive em situação de rua, ainda não foi localizado. De acordo com o delegado Thiago Cavalcanti, responsável pelo caso, ele será ouvido, mas não deve ser responsabilizado criminalmente pela morte, já que sua participação se limitou a atear fogo na mala, a pedido de Altamiro, em troca de uma porção de droga. A investigação também confirmou a presença de sangue no apartamento onde Chantal morava.

Cronologia dos fatos, segundo a Polícia Civil

Imagens de segurança registraram Altamiro Rocha dos Santos descendo com o corpo de Chantal Etiennette Dechaume dentro de uma mala, no prédio onde ambos residiam, no bairro de Manaíra, em João Pessoa. A cronologia detalhada pela Polícia Civil é a seguinte:
  • 07 de março (Sábado) - 17h35: A vítima saiu do apartamento.
  • 07 de março (Sábado) - 18h30: A vítima retornou ao apartamento e não saiu mais.
  • 09 de março (Segunda-feira) - 22h00: O namorado saiu com um galão para comprar álcool.
  • 09 de março (Segunda-feira) - 22h16: O namorado retornou com o galão de álcool.
  • 10 de março (Terça-feira) - 22h06: O namorado saiu do apartamento com o corpo da vítima dentro de uma mala.
  • 10 de março (Terça-feira) - 22h36: O namorado deixou o corpo da vítima na calçada.
  • 10 de março (Terça-feira) - 23h04: O namorado retornou ao apartamento com o carrinho usado para transportar a mala.
  • 11 de março (Quarta-feira) - 01h50: O namorado retornou ao local com o galão de álcool e encontrou um morador de rua.
  • 11 de março (Quarta-feira) - 01h55: O homem em situação de rua ateou fogo na vítima.
O delegado Thiago Cavalcanti reforça que, com base nos elementos da investigação, a médica Chantal Etiennette Dechaume já estava morta na manhã da terça-feira, 10 de março.

Opções de Títulos para Capa

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário