INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO

Jovem do RS transforma educação com IA para alunos neurodivergentes

Jovem do RS transforma educação com IA para alunos neurodivergentes

Kelvin Moraes, de 17 anos, morador de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, desenvolveu a Flexia, uma assistente que utiliza Inteligência Artificial para apoiar estudantes com TDAH e dislexia, buscando oferecer um ambiente de aprendizado mais inclusivo e eficaz para a comunidade escolar.

Um jovem talento do RS, Kelvin Moraes, de 17 anos, transformou a realidade de colegas com neurodivergências ao desenvolver a Flexia, uma inovadora assistente de Inteligência Artificial. A criação, fruto de seu curso técnico e inspiração em um hackathon da Google, promete um impacto significativo na educação inclusiva, conforme noticiado nesta sábado, 09/05/2026.

A iniciativa de Kelvin, aluno da rede estadual de ensino de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nasceu da empatia por seus colegas e da observação das dificuldades enfrentadas por estudantes com condições como TDAH e dislexia. Ele buscou criar uma ferramenta capaz de auxiliar no acompanhamento dos conteúdos em sala de aula, humanizando o processo de aprendizagem e promovendo maior dignidade para o indivíduo.

Como a Flexia Funciona e seu Propósito

A Flexia é uma IA tutora, projetada para ser um complemento valioso ao trabalho dos professores, sem a intenção de substituí-los. "A Flexia é uma IA tutora, foi criada para auxiliar os estudos, nós não temos o intuito de substituir o professor, mas, sim, ajudar o aluno quando o professor não está disponível ou realmente qualificado", explica Kelvin.

O projeto teve início como trabalho de conclusão de seu curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas, realizado pelo Senac e finalizado no início deste ano. A ideia ganhou forma ao deparar-se com a descrição do concurso Gemini 3 Hackathon, da Google, que desafiava os participantes a resolver um problema ou ser útil para uma comunidade.

Motivado a criar algo que também o auxiliasse, Kelvin mergulhou em artigos e estudos, descobrindo que "o TDAH e a dislexia são os diagnósticos mais frequentes em crianças com baixo rendimento escolar no Brasil". Esse dado, somado ao apoio de sua mãe, com formação em psicanálise, solidificou a proposta de sua ferramenta.

A assistente foi concebida por meio da "engenharia de prompt", uma técnica que envolve a criação de instruções precisas para a Inteligência Artificial. A Flexia é adaptada especificamente para pessoas com neurodivergências, contando com customizações para cada tipo de condição. Kelvin assegura que a ferramenta não entrega as respostas prontas, mas estimula o aluno a encontrá-las. "Usamos um método socrático de aprendizagem, onde questionamos o aluno ao invés de entregar algo pronto", destaca.

Próximos Passos e Acesso à Tecnologia

Kelvin planeja continuar aprimorando a Flexia para sua implementação em larga escala. Após sua formatura no 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual 25 de Julho, ele pretende cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Computação e Psicologia, aprofundando-se nas áreas que combinam sua paixão pela tecnologia e o desejo de auxiliar o próximo.

Embora a Flexia já esteja apta para ser utilizada, o custo de manutenção de uma Inteligência Artificial impede que seja oferecida gratuitamente. "Infelizmente a ferramenta não é gratuita, manter uma Inteligência Artificial não é algo barato. Os testes podem sim ser feitos, mas nós liberamos somente alguns vouchers para testes", informa Kelvin, acrescentando que "a única coisa que falta são os alunos ou escolas interessados" em adotar a inovação.

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