JUSTIÇA E POLÍTICA

José Medeiros aciona Justiça por áudios de Flávio com Vorcaro

O deputado José Medeiros durante sessão em 29 de abril de 2026
O deputado José Medeiros durante sessão em 29 de abril de 2026

Documentos revelam senador discutindo US$ 24 milhões para "Dark Horse", enquanto MP investiga uso político de material.

O deputado federal José Medeiros (PL-MT) protocolou um requerimento de informações junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública na quarta-feira, 13 de maio de 2026. A iniciativa busca esclarecer como áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tratam de sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, chegaram à imprensa. A ação de Medeiros surge em meio a fortes indícios de um vazamento seletivo de material supostamente sigiloso, levantando sérias preocupações sobre o uso político-midiático desses dados e a integridade de investigações em curso, o que pode abalar profundamente a confiança da sociedade nas instituições democráticas.

Registros de áudio e mensagens no WhatsApp revelam que Flávio negociou com Vorcaro o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram divulgadas pelo jornal digital Intercept Brasil na quarta-feira, 13 de maio de 2026. Flávio, filho mais velho de Jair e pré-candidato à Presidência da República, confirmou a veracidade dos áudios.

No requerimento, Medeiros questiona como materiais supostamente protegidos por sigilo investigativo chegaram à imprensa. Ele pede auditoria dos acessos aos arquivos, logs de compartilhamento e identificação de autoridades que tiveram contato com o conteúdo. O documento completo está disponível para consulta (PDF – 103 KB).

O deputado afirmou haver indícios de “vazamento seletivo” e suspeita de “uso político-midiático de material sigiloso”. Medeiros destacou sua preocupação com a divulgação inicial do material em veículos que, segundo ele, seriam alinhados ao governo federal.

Entenda o caso

De acordo com a reportagem do Intercept Brasil, Flávio solicitou em 2025 o valor de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Vorcaro se comprometeu a pagar o montante em 14 parcelas, mas apenas US$ 10,6 milhões (equivalente a R$ 61 milhões na cotação da época) foram efetivamente repassados. O senador, embora tenha confirmado o pedido, não detalhou os valores envolvidos.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando o pagamento de parcelas atrasadas referentes ao filme. No registro sonoro, o senador expressou preocupação com os atrasos, alertando sobre as consequências negativas que o não pagamento poderia acarretar à produção.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro no filme], num Cyrus Nowrasteh [diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse Flávio.

O áudio, com duração de 1min37s, foi divulgado e amplamente compartilhado nas redes sociais, como um vídeo replicado pelo Poder360 em 13 de maio de 2026.

Os repasses financeiros foram realizados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que também está à frente da revista IstoÉ. Em março de 2026, a instituição de pagamentos Entrepay, que pertencia ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central.

As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo de Flávio, figura entre os agentes do fundo.

O relacionamento

A aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teve início em dezembro de 2024. O empresário Thiago Miranda, então proprietário do Portal Leo Dias, atuou como intermediário no contato inicial.

Miranda informou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro manifestava interesse em discutir o financiamento da produção cinematográfica, além de acordos relacionados à publicidade. O empresário assegurou ao ex-banqueiro que o senador estava “ciente de todos os detalhes”.

O primeiro encontro presencial entre Flávio e Vorcaro ocorreu em 11 de dezembro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Vorcaro, referindo-se ao ex-banqueiro como “irmão” e declarando que estaria ao seu lado “sempre”. No dia seguinte, 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero.

Flávio Bolsonaro responde

O senador Flávio Bolsonaro afirmou em nota divulgada na quarta-feira, 13 de maio de 2026, que é “fundamental a instalação” de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master.

Segundo o senador, o caso trata-se de um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”.

Flávio declarou: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.”

Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”

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