SENADOR CITA CONTATOS
Jaques Wagner reconhece relação com ex-sócio do Banco Master e critica operação da Polícia Federal
Jaques Wagner (PT-BA) admitiu relação pessoal com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e contestou a operação da Polícia Federal que mirou seu apartamento em Brasília. Parlamentar negou envolvimento com empresa da nora e criticou "espetacularização" da PF.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu nesta sexta-feira, 26/06/2026, ter tido uma relação pessoal com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A declaração surge um dia após sua saída da liderança do governo no Senado e em meio a contestações sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo seu apartamento em Brasília. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Wagner reconheceu conhecer Augusto Lima durante a privatização da rede Cesta do Povo e negou qualquer ligação com a empresa de consultoria de sua nora, também investigada.
Wagner afirmou que os contratos entre a empresa familiar e o Banco Master superam os R$ 3,5 milhões inicialmente divulgados, mas assegurou a legalidade da origem de todos os recursos. O senador criticou a abordagem da Polícia Federal, argumentando que a instituição busca criar uma narrativa de troca de favores sem base em provas. Para ele, manter relações pessoais e aceitar convites, como caronas em aeronaves, não configuram irregularidade. "O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca", declarou, defendendo que contatos empresariais fazem parte da atividade política e não implicam ilícito.
O parlamentar também se manifestou contra a divulgação de imagens de dinheiro em espécie e objetos apreendidos, classificando a ação como "espetacularização". Segundo Wagner, a conduta contrariou a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para que o cumprimento dos mandados ocorresse de forma discreta. Em relação a Daniel Vorcaro, empresário com participação no Banco Master, Wagner mencionou encontros pontuais, incluindo uma ocasião em que apresentou o ex-ministro Ricardo Lewandowski como potencial consultor jurídico da instituição. O senador explicou ter apenas intermediado o contato a pedido de Augusto Lima, sem participar das negociações subsequentes.
Sobre sua renúncia à liderança do governo, Wagner explicou que a decisão foi tomada após diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A conversa envolveu um questionamento do presidente sobre a capacidade de conciliar a defesa pessoal com as articulações políticas no Congresso, o que motivou o afastamento da função.
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