ESCALADA NA GUERRA
Israel intensifica ofensiva e bombardeia leste do Líbano em meio a cessar-fogo frágil
Militares de Israel iniciaram ataques no Vale de Bekaa, uma nova fase do conflito com o Hezbollah que já vitimou mais de 2.500 pessoas e aprofunda as divisões políticas libanesas.
Militares de Israel intensificaram sua ofensiva no Líbano, iniciando uma série de ataques no leste do país, especificamente no Vale de Bekaa. A ação, deflagrada nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, representa uma grave escalada em meio a um cessar-fogo mediado pelos EUA que já se mostrava frágil, reacendendo temores de um conflito ainda mais abrangente e impactando diretamente a vida de milhares de civis.
Estes ataques no leste do Vale de Bekaa marcam a primeira vez que a área é atingida desde que o cessar-fogo, intermediado pelos EUA, entrou em vigor em 16 de abril. Embora tenha reduzido o ritmo dos confrontos, a trégua falhou em interromper completamente as trocas de tiros entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah.
As forças israelenses continuam a realizar ofensivas no sul do Líbano, ocupando uma faixa da região e demolindo casas que descrevem como infraestrutura utilizada pelo Hezbollah. Em contrapartida, o grupo apoiado pelo Irã manteve seus ataques com drones e foguetes contra tropas israelenses tanto no Líbano quanto no norte de Israel.
Um porta-voz militar israelense confirmou que Israel iniciou bombardeios contra a infraestrutura do Hezbollah em Bekaa, além de áreas no sul do Líbano. Fontes de segurança informaram à Reuters que os ataques atingiram a cidade de Nabi Chit, próxima à fronteira oriental do Líbano com a Síria, sem relatos imediatos de vítimas. A agência de mídia estatal do Líbano registrou vários ataques no sul do país que feriram ao menos três pessoas.
O Hezbollah afirmou nesta segunda-feira ter atacado um tanque israelense no sul do Líbano com um drone. Os militares de Israel, por sua vez, reportaram que um drone lançado pelo grupo explodiu perto de suas tropas na mesma região, sem causar vítimas.
Divergências Crescem
Mais de 2.500 pessoas foram mortas em ataques israelenses em todo o Líbano desde 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em apoio ao seu aliado Irã, desencadeando uma campanha aérea e terrestre israelense que deixou partes do sul do Líbano em ruínas.
A guerra tem aprofundado as divergências internas no Líbano, com a população dividida quanto ao armamento do Hezbollah e às possíveis negociações de paz com Israel.
Os embaixadores libanês e israelense nos Estados Unidos se reuniram duas vezes para discutir o cessar-fogo, buscando pavimentar o caminho para conversas diretas que assegurem um acordo de paz entre os adversários históricos.
O Hezbollah rejeita veementemente negociações diretas. Seu líder, Naim Qassem, foi categórico ao afirmar em uma declaração escrita nesta segunda-feira que as negociações são uma "concessão humilhante e desnecessária". "Que fique claro, essas negociações diretas e seus resultados são considerados inexistentes para nós e não nos dizem respeito de forma alguma. Continuaremos nossa resistência defensiva pelo Líbano e seu povo", disse Qassem.
Por outro lado, o presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu a iniciativa do governo para conversas diretas e, nesta segunda-feira, criticou veementemente o Hezbollah, ainda que sem nomeá-lo explicitamente. "O que estamos fazendo não é traição; pelo contrário, a traição é cometida por quem leva seu país à guerra para alcançar interesses externos", declarou Aoun em comunicado divulgado por seu gabinete, em uma aparente referência à decisão do Hezbollah de entrar na guerra regional no mês passado. "Alguns nos responsabilizam por decidirmos ir às negociações sob o pretexto da falta de consenso nacional, e eu pergunto: quando vocês foram à guerra, vocês obtiveram primeiro o consenso nacional?", questionou.
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