POLÍTICA E TRABALHO
Isolda Dantas critica senador Rogério Marinho e o chama de “inimigo do trabalhador”
Deputada estadual Isolda Dantas (PT) acusa senador Rogério Marinho (PL) de articular negociação individual para jornada de trabalho, argumentando que medida prejudica a classe trabalhadora.
Em um discurso contundente na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, a deputada estadual Isolda Dantas (PT) declarou que o senador Rogério Marinho (PL) é um “inimigo da classe trabalhadora”. A afirmação surge em resposta à apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo senador no Senado, que propõe um sistema de pagamento por hora trabalhada com jornada flexível. Essa medida se contrapõe à PEC aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, 27 de maio de 2026, que encerra a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
Isolda Dantas celebrou o fim da escala 6x1 como uma "vitória histórica" para os trabalhadores. "Eu preciso comemorar com a classe trabalhadora do Rio Grande do Norte a grande vitória que nós tivemos na Câmara dos Deputados", declarou a parlamentar.

A deputada também creditou o sucesso da proposta à articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela destacou que a pauta enfrentou diversas objeções, como a alegação de que a redução da jornada levaria ao desemprego, teria motivação eleitoral ou diminuiria a produtividade dos trabalhadores.
"Muita fake news foram feitas com essa pauta, de que vai gerar desemprego, de que as pessoas querem ter mais tempo para ficar preguiçando em casa, de que era uma pauta eleitoreira, mas nada disso foi capaz de derrotar essa grande conquista que os trabalhadores e trabalhadoras tiveram na Câmara dos Deputados, em Brasília", afirmou Isolda.
O principal foco da crítica de Isolda foi Rogério Marinho, a quem acusou de articular nos bastidores para flexibilizar a proposta no Senado. A deputada demonstrou preocupação com a possibilidade de a redução da jornada passar a depender de negociações diretas entre empregados e empregadores.
"Já tem um senador, que é inimigo da classe trabalhadora, o senador do saco preto, que está articulando, pegando a assinatura de outros senadores para incluir, nessa vitória da classe trabalhadora, que essa negociação de redução das horas seja feita entre trabalhador e empregado", disse.
Na visão da deputada, esse modelo de negociação individual não protege o trabalhador, pois coloca em desvantagem pessoas em situação de dependência econômica. "É óbvio que quem precisa do seu emprego vai para uma negociação dessa completamente desprovido", argumentou. "Essa negociação não pode se dar entre quem emprega e quem é o empregado, porque é desigual, é desleal, não é justa."
A crítica de Isolda Dantas ocorre em um momento crucial, com o debate sobre a escala 6x1 transitando da Câmara para o Senado. O objetivo de setores contrários à mudança é ampliar a margem de flexibilização, sob o pretexto de proteger empresas e empregos por meio de acordos individuais.
Isolda Dantas refutou essa perspectiva, defendendo que o Congresso Nacional deve assegurar a proteção legal dos trabalhadores. Para ela, a transferência de decisões sobre direitos básicos para negociações individuais é inaceitável. A parlamentar ressaltou o papel dos legisladores em garantir que a parte mais vulnerável da relação de trabalho não fique desprotegida. "Para que servem os deputados? Para que servem os senadores, se não para proteger os direitos da classe trabalhadora?", questionou.
A deputada defende a manutenção integral da proposta aprovada na Câmara, incluindo a redução da jornada, o fim da escala 6x1 e a preservação dos salários. "Isso nós não vamos aceitar, isso nós temos que denunciar. A vitória tem que ser completa, porque nós sabemos que essa negociação, se for dessa forma, é injusta. Se for dessa forma, é desleal", concluiu.
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