REINCIDÊNCIA DE CONFLITO
Irã culpa os Estados Unidos pelas violações do cessar-fogo com Israel
Porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano afirma que ações de Israel não são independentes de Washington. Troca de ataques marca fim do cessar-fogo.
O Irã atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade pelas recentes violações do cessar-fogo com Israel. Segundo Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, as ações israelenses não podem ser dissociadas das políticas americanas. A declaração, feita nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, agrava o "processo diplomático caótico" e aprofunda a desconfiança de Teerã em relação a Washington.
Essa escalada bélica, marcada pela primeira troca de ataques mútuos entre Irã e Israel desde abril, representa a quebra definitiva do cessar-fogo estabelecido na região. Explosões foram ouvidas em cidades iranianas como Teerã, Tabriz e Isfahan, conforme noticiou a rede Al Jazeera.
Mais cedo, Israel confirmou ter realizado ataques a "alvos militares" no Irã, na noite de domingo (7 de junho), no horário de Brasília. As Forças Armadas israelenses anunciaram ter atingido alvos militares iranianos no oeste e centro do país.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o sistema Domo de Ferro interceptando projéteis nos céus controlados por Israel. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter disparado contra uma base militar israelense. Não há registros de feridos nos bombardeios iranianos.
A escalada de tensões ocorre em meio a negociações de um acordo de paz entre Washington e Teerã. Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "não tinha opção" a não ser aceitar o acordo, pois ele, Trump, "dá as cartas". Trump expressou o desejo de não "estraga[r] tudo por causa do que está acontecendo agora".
O Irã, por sua vez, declarou que as 19 bases americanas no Oriente Médio tornaram-se "alvos legítimos", estendendo a ameaça a ativos israelenses na região. Essa manifestação levou o Iraque a anunciar o fechamento de seu espaço aéreo e a suspensão de serviços de navegação aérea por 72 horas, medida acompanhada pelo fechamento do espaço aéreo iraniano.
Mohammad Qalibaf, principal negociador do Irã nas conversas com os EUA e presidente do Parlamento iraniano, afirmou em suas redes sociais que Israel e os EUA "não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo". Segundo ele, "só entendem a linguagem do poder", citando bloqueios navais e violações de acordos relativos ao Líbano.
A ofensiva israelense ao Líbano, conforme noticiado, também representa um desafio a Donald Trump, que havia assegurado na semana anterior que Israel não voltaria a bombardear o país. As divergências sobre o Líbano já geraram discussões entre Trump e Netanyahu. O Paquistão e o Irã insistem que o Líbano estava incluído na trégua, enquanto EUA e Israel sustentam que a trégua se aplicava apenas a ataques em território iraniano e nos países do Golfo Pérsico.

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