DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Estados Unidos aceitam discutir na OMC tarifaço imposto ao Brasil
Governo de Donald Trump concorda em realizar consultas sobre sobretaxas de 25% e 12,5% aplicadas a produtos brasileiros.
O governo dos Estados Unidos aceitou formalmente o pedido do Brasil para debater na OMC as recentes sobretaxas impostas ao país. A sinalização positiva foi enviada em documento oficial, no qual a gestão de Donald Trump confirma a disposição para abrir consultas e reavaliar o cenário comercial.
O Brasil acionou a OMC no fim de julho para questionar as tarifas adicionais de 25% e 12,5%. Enquanto a primeira taxa foi justificada por Washington como combate a práticas comerciais injustas, a segunda alega supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Para o Brasil, as medidas são discriminatórias, carecem de base técnica e possuem caráter estritamente político.
A abertura desse canal de diálogo estabelece um cronograma de 60 dias para que as partes busquem uma solução consensual. O mecanismo permite, inclusive, que nações terceiras, como a China, participem do processo caso se sintam lesadas por políticas similares. O governo chinês já manifestou preocupação, pontuando que as barreiras americanas prejudicam a competitividade de seus produtos no mercado dos Estados Unidos.
Embora a diplomacia brasileira trate o estágio atual como um passo simbólico, o Palácio do Planalto avalia positivamente o aceite, visto que Washington poderia ter ignorado a solicitação. A medida reflete um alívio momentâneo para produtores brasileiros que dependem da estabilidade comercial.
Para Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, o diálogo iniciado é um sinal cauteloso, mas ainda insuficiente para garantir segurança jurídica. 'São dois pequenos passos positivos. Caminho longo, mas mostra que existe aí um potencial para ter conversas produtivas ao longo das próximas semanas e meses. É preciso se preparar para um cenário de incerteza permanente. A relação comercial com os Estados Unidos, é, será conturbada enquanto Trump for o presidente dos Estados Unidos', avalia.
O processo segue em fase de consultas e ainda não há uma decisão definitiva sobre a reversão das tarifas, dependendo da capacidade de negociação entre as partes nos próximos meses.
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