TENSAO GLOBAL CESTA
Irã anuncia suspensão de ataques contra Israel após troca de tiros
Comando militar iraniano declara fim das operações, mas alerta para medidas mais severas em caso de novas agressões. EUA pedem moderação de Israel.
O comando militar do Irã anunciou a suspensão de suas operações contra Israel, em um movimento decidido neste domingo, 8 de junho de 2026, após ambos os lados terem trocado tiros pela primeira vez desde o cessar-fogo em abril. A decisão, comunicada pela TV estatal, visa evitar uma escalada maior no conflito, mas um alerta permanece: novas agressões resultarão em respostas ainda mais contundentes.
Em comunicado divulgado pela TV estatal, o comando de Khatam al-Anbiya afirmou que o regime deu uma "resposta dolorosa" ao governo israelense, e acrescentou: "Anuncia-se a cessação das operações das forças armadas. No entanto, ressalta-se que, caso os atos de agressão e hostilidade continuem, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas."
Nas redes sociais, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou a busca por soluções diplomáticas, mas sem descartar futuras intervenções militares. "Nossa prioridade é a segurança nacional e a tranquilidade do povo. Defendemos os direitos da nação com autoridade e não recuaremos diante de nenhuma ameaça. Diplomacia e defesa são as duas asas do poder nacional; nem abandonamos o campo de batalha, nem a mesa de negociações. Com a ajuda de Deus, com unidade e racionalidade, o Irã sairá vitorioso desta prova também", disse Pezeshkian em sua conta na rede X.
Em publicação na rede Truth Social, Pezeshkian expressou insatisfação com a volta dos confrontos e clamou pelo imediato retorno da trégua, criticando a "estupidez" que, segundo ele, prejudica as negociações de paz. "Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a 'paz' estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem. O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um 'acordo final' seja alcançado. As coisas devem avançar rapidamente", escreveu.
Fontes do alto escalão israelense, falando anonimamente ao Canal 12, indicaram que Israel também interrompeu seus ataques ao Irã em resposta a um pedido do presidente dos Estados Unidos. No entanto, o oficial alertou que, se os ataques do Hezbollah contra cidades israelenses persistirem, Israel prosseguirá com bombardeios intensos nos subúrbios do sul de Beirute e no sul do Líbano nos próximos dias.
Segundo Esmaeil Baghaei, os novos ataques agravaram o "processo diplomático caótico" com os Estados Unidos, aumentando a desconfiança de Teerã em relação a Washington. Baghaei avalia que Israel não age de forma independente, mas sim em consulta com os EUA.

A situação se torna ainda mais delicada devido às desavenças entre Estados Unidos e Israel. O ataque de Israel ao Líbano, conforme relatado, desafiou a garantia dada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que Israel não voltaria a bombardear o Líbano. Essa divergência gerou uma discussão entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Trump havia se referido aos constantes ataques israelenses ao Líbano em meio ao cessar-fogo no Oriente Médio. O Paquistão, mediador das negociações, e o Irã insistem que o Líbano estava incluído na trégua. Por outro lado, EUA e Israel sustentam que a trégua se aplica apenas a ataques em território iraniano e em países do Golfo Pérsico. Na semana anterior, Trump chegou a afirmar que Israel e o grupo terrorista Hezbollah haviam concordado com uma trégua no Líbano e no norte de Israel, onde ambos os lados se enfrentam com o Hezbollah, financiado pelo Irã, realizando ataques constantes.
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