INFLAÇÃO EM MAIO

IPCA-15 de maio registra alta de 0,62%, impulsionado por alimentos e habitação

Compras de supermercado com carrinho cheio de alimentos e conta de luz.
Aumento nos preços de alimentos e energia elétrica afeta o orçamento doméstico.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve variação positiva em oito dos nove grupos pesquisados, afetando o bolso dos brasileiros. Previsões apontam para fechamento de ano acima da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que serve como termômetro da inflação, registrou alta de 0,62% em maio deste ano. A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 27/05/2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reflete o impacto do aumento de preços em oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados. Essa elevação, especialmente nos setores de alimentação e habitação, afeta diretamente a dignidade e o poder de compra da população, tornando o acesso a itens básicos e o pagamento de contas essenciais mais desafiadores.

Em termos acumulados, a inflação em 12 meses atingiu 4,64%, enquanto no ano, de janeiro a maio, a elevação foi de 3,02%. Esses números indicam uma pressão persistente sobre o orçamento familiar, forçando muitos a fazerem escolhas difíceis entre bens e serviços essenciais.

O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal vilão, com uma variação de 1,38% em maio, sendo responsável por 0,30 ponto percentual da inflação geral do mês. Itens essenciais como batata-inglesa (alta de 26,29%), tomate (12,97%) e leite longa vida (6,07%) pesaram significativamente no bolso dos consumidores. Carnes também registraram aumento de 1,98%. Embora alguns itens tenham apresentado ligeira desaceleração ou queda, como maçã (-2,32%) e café moído (-2,09%), o impacto geral no setor de alimentos e bebidas foi considerável, dificultando o acesso a uma dieta nutritiva e acessível.

A Habitação também se destacou com uma elevação de 1,03%, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o índice. A alta na conta de energia elétrica residencial (2,16%) e nas taxas de água e esgoto (0,13%) impactou diretamente as despesas básicas das famílias. A entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional, e reajustes tarifários em cidades como Fortaleza, Salvador e Recife agravaram a situação, tornando o acesso a serviços básicos, como luz e água, um desafio maior para muitos.

Outros grupos também registraram elevações, embora com menor impacto: Artigos de residência (0,21%), Vestuário (0,36%), Saúde e cuidados pessoais (1,05%), Despesas pessoais (0,50%), Educação (0,01%) e Comunicação (0,36%). O grupo Transportes, contudo, apresentou queda de -0,33%.

A meta inflacionária para 2026 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o acumulado em 12 meses ultrapasse esse intervalo por seis meses seguidos, a meta é considerada descumprida. Relatórios como o Focus do Banco Central já indicam que o IPCA deverá fechar o ano em 5,04%, evidenciando um cenário de inflação elevada que exige atenção e possíveis medidas de controle para garantir a estabilidade econômica e o bem-estar da população.

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