PODER EXECUTIVO
Interlocução com EUA é de Lula e ministros, diz Durigan
Declaração do chefe da Fazenda ocorre em meio a viagem a Washington e divergências sobre quem representa o Brasil.
A diplomacia do Brasil com os Estados Unidos será conduzida exclusivamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, conforme afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quarta-feira, 06/05/2026. A declaração, que sublinha a exclusividade da interlocução oficial, surge no dia em que Lula, Durigan e outros membros do alto escalão embarcam para Washington (EUA) para um encontro com o líder norte-americano Donald Trump. O objetivo é assegurar que as relações bilaterais se deem em um patamar institucional e respeitoso, protegendo a soberania nacional e os interesses da população brasileira.
“Eu acho importante que a gente se coloque cada vez mais, como o presidente Lula tem feito, como interlocutor do governo dos EUA. O interlocutor do governo dos EUA não é nenhuma outra figura que não o presidente Lula e seus ministros”, ressaltou Durigan em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A manifestação de Durigan ocorre após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se posiciona como um interlocutor do Brasil junto ao governo Trump, usar as redes sociais para ironizar o encontro entre Lula e Trump.
Em publicação no X nesta segunda-feira, 04/05/2026, o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) qualificou Lula de “malandro” e questionou o discurso do petista sobre a soberania nacional. A crítica levanta preocupações sobre a unidade da representação brasileira no cenário internacional.
Sem citar Eduardo nominalmente, Durigan enfatizou que as expectativas do governo para a viagem são “as melhores possíveis” e que o debate exige ser “institucional, respeitoso e construtivo”.
“Eu estou muito otimista para essa conversa com o presidente Trump nessa linha, de que não se pode ter interferência no Brasil indevida, e nem nos EUA. O debate tem que ser institucional, respeitoso e construtivo. Vamos seguir nessa linha”, pontuou o chefe da equipe econômica, reforçando a importância da postura diplomática.
Durigan também afirmou que o governo brasileiro está à disposição para prestar esclarecimentos sobre a investigação aberta em julho de 2025 pelo governo norte-americano sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “desleais”. Essas práticas poderiam prejudicar empresas de tecnologia dos EUA, e incluem o Pix, o sistema de pagamentos brasileiro que revolucionou a economia do país e é um ponto de orgulho nacional.
Nesta terça-feira, 05/05/2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o tema como uma “preocupação” do governo e indicou que ele será prioridade nas conversas. A defesa do Pix e de outras inovações brasileiras é crucial para a dignidade econômica e tecnológica do Brasil.
O processo ocorre no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, um instrumento usado para apurar possíveis violações comerciais e que pode resultar em novas sanções econômicas, afetando diretamente a vida e o trabalho de milhões de brasileiros.
A apuração também abrange temas como a produção de etanol, vital para a matriz energética brasileira, e o desmatamento ilegal no Brasil. Em 16 de abril de 2026, representantes dos dois países se reuniram nos EUA para discutir o assunto, com a apresentação de esclarecimentos técnicos e jurídicos às autoridades norte-americanas.
“A ideia é que aqui a gente proteja a nossa população, coloque o Brasil na frente, e faça um diálogo construtivo. Então as expectativas minhas e do governo são as melhores possíveis para essa viagem”, completou Durigan, reiterando o compromisso com a defesa dos interesses nacionais.
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