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Inteligência Artificial Amplifica Ondas de Fraudes no Brasil
Dados da Polícia Federal e relatórios setoriais revelam que 42,5% dos golpes já usam IA, com prejuízo de R$ 52 bilhões em 2024. Deepfakes cresceram 830% entre 2024 e 2025, impactando milhões de brasileiros.
A sofisticação alarmante dos crimes financeiros no Brasil alcançou um novo patamar, com a Inteligência Artificial (IA) catalisando um crescimento exponencial no volume e na complexidade dos golpes. Nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, dados revelados pela Polícia Federal e por relatórios setoriais, como o da Signicat em parceria com a Consult Hyperion, confirmam que 42,5% das fraudes financeiras no país já exploram ferramentas de IA, elevando o prejuízo estimado em 2024 para impactantes R$ 52 bilhões. Este avanço tecnológico nas mãos de criminosos desmantela a segurança financeira de indivíduos e empresas, corroendo a confiança e a dignidade das vítimas.
As informações, compiladas também pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, destacam a preocupante liderança do Brasil na América Latina em crimes com deepfakes – conteúdos falsos gerados por algoritmos –, que registraram um assustador crescimento de 830% entre 2024 e 2025. O país também figura entre os maiores produtores mundiais de malware, programas desenvolvidos especificamente para roubo de dados bancários, conforme o levantamento da Signicat e Consult Hyperion.

Organizações criminosas transformaram seu modus operandi, incorporando técnicas complexas de engenharia social. A IA surge como ferramenta essencial na criação de identidades sintéticas, falsificação de documentos e na produção de deepfakes, tornando os golpes cada vez mais convincentes e difíceis de detectar. Essa evolução não apenas dificulta a identificação, mas também explora a vulnerabilidade psicológica das vítimas, levando-as a compartilhar dados confidenciais ou realizar transferências.
A expansão internacional dessas redes criminosas é outro ponto de atenção, com a adoção de mecanismos sofisticados para movimentação e ocultação de recursos. Entre as práticas identificadas estão o uso de criptoativos, pagamentos de contas e tributos, além da utilização de casas de apostas não autorizadas para lavagem de dinheiro. Há ainda registros de cooptação de funcionários de instituições financeiras e de terceiros para a abertura de contas fraudulentas, evidenciando a capilaridade e ousadia desses esquemas.
Diante da complexidade e do impacto devastador dessas práticas, os crimes cibernéticos ocupam agora uma posição central nas ações da Polícia Federal. O número de operações voltadas ao combate a fraudes digitais cresceu significativamente, passando de cerca de 300 em 2022 para mais de mil por ano desde 2024, demonstrando a intensificação da resposta estatal a essa ameaça.
A Operação Fake PF, um exemplo recente, investigou um grupo que utilizava símbolos oficiais da corporação, como brasões e distintivos, para aplicar golpes. Os criminosos se passavam por policiais federais, abordavam empresários por telefone e internet, e ofereciam supostos favorecimentos mediante pagamento direcionado a plataformas ligadas ao esquema, muitas vezes usando ameaças para obter valores.
Para especialistas como Fabro Steibel, a facilidade de uso e o baixo custo tornam a IA um instrumento acessível para a prática de crimes em larga escala. “A inteligência artificial é a forma mais barata, mais fácil de se aplicar golpe com muitas pessoas. Então, ela pode fazer um texto que é mais convincente, um áudio que é mais convincente, um website”, explica Steibel, reforçando a urgência na conscientização e proteção individual.
Além da IA, criminosos empregam machine learning para automatizar ataques e conferir maior legitimidade às fraudes. Dados da Serasa Experian revelam que o Brasil registra, em média, uma tentativa de fraude digital a cada 2,2 segundos. A Datatech estima cerca de 14 milhões de tentativas apenas em 2024, com 11 milhões de ocorrências até setembro do mesmo ano, evidenciando a persistência e a escala do problema.
As deepfakes se destacam entre as ferramentas mais usadas. Golpistas criam vídeos e imagens falsas de figuras públicas, influenciadores ou cidadãos comuns para promover produtos inexistentes, solicitar doações ou divulgar premiações falsas. Os sistemas avançados conseguem substituir rostos e sincronizar movimentos labiais, tornando a simulação quase indistinguível da realidade e causando danos irreparáveis à reputação e à segurança das vítimas.
Outra prática cruel e recorrente é a clonagem de voz de familiares, explorada em ligações telefônicas para solicitar transferências urgentes via Pix. Nessas situações, criminosos exploram o fator emocional, simulando acidentes ou sequestros. As amostras de voz, muitas vezes, são obtidas em conteúdos publicados por pessoas comuns nas redes sociais, sublinhando o risco da exposição online.
A Inteligência Artificial também tem sido fundamental na criação de documentos falsos com alto grau de realismo, como carteiras de habilitação, comprovantes bancários e de residência. Esses materiais são utilizados para abrir contas fraudulentas e contratar empréstimos em nome de terceiros, gerando dívidas e problemas legais para inocentes.
No campo da engenharia social, modelos de linguagem de grande escala permitem a elaboração de mensagens mais sofisticadas, com menos erros gramaticais e maior personalização, o que eleva exponencialmente a taxa de sucesso dos golpes e a angústia das vítimas.
O impacto financeiro dessas fraudes é avassalador. Em 2024, o prejuízo estimado com golpes no país aumentou 80% em relação ao ano anterior, alcançando a marca de R$ 52 bilhões. O número de casos de estelionato também avançou, com 2,17 milhões de registros no período – o equivalente a cerca de quatro ocorrências por minuto –, representando uma alta de 7,8% e refletindo a dimensão da crise.
Em resposta, a Polícia Federal e a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) firmaram, em 2025, um acordo de cooperação técnica. Essa parceria conecta instituições financeiras à Plataforma Tentáculos, um sistema de inteligência que centraliza dados e auxilia na identificação de quadrilhas por meio do cruzamento automatizado de informações, buscando proteger os cidadãos.
A iniciativa visa fortalecer o combate a crimes que envolvem contas bancárias, cartões e meios de pagamento, além de estruturar uma rede nacional de investigação. O objetivo primordial é ampliar a troca de informações entre órgãos públicos e o setor financeiro, com o apoio de tecnologias avançadas de análise de dados, para desmantelar esses esquemas antes que causem mais sofrimento.
Especialistas recomendam atenção redobrada a sinais comuns de fraude: abordagens inesperadas, promessas muito acima do padrão de mercado, senso de urgência para transferências financeiras, pedidos de envio de dados pessoais e solicitações para clicar em links desconhecidos. Mudanças no comportamento de contatos habituais e mensagens com excesso de detalhes ou linguagem excessivamente formal também podem indicar tentativas de golpe, ressaltando a importância da vigilância constante.
O cenário atual aponta para uma tendência de continuidade no uso de tecnologias avançadas por organizações criminosas, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade urgente de adaptação das estratégias de prevenção e investigação por parte de autoridades e da sociedade, diante da rápida e implacável evolução digital.
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