MUDANÇA NO EXAME

Inep amplia uso de blocos de leitura no Enem 2026

Infográfico sobre a expansão dos modelos de leitura no Enem 2026
“textão” do Enem deve ganhar espaço em 2026

Após desempenho abaixo do esperado em 2025, modelo testlet será expandido para outras áreas do Enem em 2026 para aprofundar a avaliação crítica dos estudantes.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) definiu a expansão do formato de questões baseado em blocos de leitura, conhecidos como testlets, para a edição de 2026 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A decisão, comunicada nesta segunda-feira, 13/07/2026, visa aprofundar a avaliação de competências complexas, como a interpretação e a correlação de dados, superando o modelo tradicional de perguntas isoladas.

A medida responde à necessidade de elevar o padrão do exame, mesmo após o formato registrar um desempenho desafiador em 2025. Dados da Arco Educação indicam que o bloco pioneiro, baseado em um texto de 45 linhas da escritora Ana Elisa Ribeiro, apresentou uma taxa média de acerto de apenas 37%. O resultado evidenciou uma disparidade no repertório leitor: alunos da rede privada alcançaram 51,8% de aproveitamento, enquanto estudantes da rede pública registraram 33,4%.

Para especialistas, o impacto vai além da nota final, afetando a equidade do processo seletivo. O modelo exige que o candidato mantenha o foco e a compreensão global ao responder cinco questões sobre o mesmo suporte textual, simulando exigências de avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

O presidente do Inep, Manuel Palacios, confirmou que, após a estreia em Linguagens, a metodologia será aplicada em Ciências da Natureza e Matemática. A mudança força as escolas a repensarem suas práticas pedagógicas. Márcio Romão, coordenador no Colégio Franco, no Rio de Janeiro, destaca que a adaptação é crucial: "Mais do que preparar para uma prova, esse trabalho fortalece habilidades de leitura crítica e tomada de decisão".

O Inep assegura que a alteração não visa apenas o rigor acadêmico, mas combater respostas mecânicas. Professores como Vânia Fonseca Longhi Macarrão, da Escola Lourenço Castanho, pontuam que o novo cenário exige que a ciência e a matemática sejam aplicadas para solucionar problemas reais, exigindo dos alunos uma capacidade analítica superior à memorização de fórmulas.

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