ECONOMIA POTIGUAR EM XEQUE
Indústria do RN reage em confecções, mas acumula maior queda do país, revela IBGE
Setor de vestuário dispara 101,2% em março, mas o Rio Grande do Norte lidera as perdas industriais do país com -19,2% no trimestre.
A indústria do Rio Grande do Norte registrou um desempenho de contrastes em março de 2026. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional (PIM-PF Regional), que apontam uma recuperação notável no setor de confecções, com avanço de 101,2% na comparação anual, enquanto a atividade industrial geral do estado ainda enfrenta um cenário desafiador, acumulando a maior queda do país no primeiro trimestre.
Essa dualidade reflete a complexidade da economia local e o esforço de trabalhadores e empresários potiguares em um contexto de desafios. O aumento expressivo na confecção de artigos do vestuário e acessórios, que mais que dobrou em relação a março de 2025, traz um alívio pontual para o setor e seus empregos, impulsionado, principalmente, pela fabricação de calças, bermudas, shorts, camisas e blusas, conforme explicou Bernardo Almeida, analista da pesquisa do IBGE.
Além do vestuário, as indústrias extrativistas também mostraram resiliência, com crescimento de 12,6%, beneficiadas pela produção de gás natural. A fabricação de produtos alimentícios avançou 3,0%, com destaque para balas, confeitos sem cacau e sal refinado e iodado, contribuindo para a recuperação em parte das atividades industriais do estado.
Setor de combustíveis em queda
Apesar desses avanços, o cenário geral foi ofuscado pelo desempenho negativo do setor de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que amargou uma queda de 21,1% na produção em março. Esse segmento impactou fortemente o resultado da indústria potiguar, que, mesmo com a recuperação setorial, acumulou uma retração de 5,1% no mês.
O acumulado do primeiro trimestre de 2026 agrava a preocupação. A maior parte das atividades industriais do Rio Grande do Norte ainda apresenta um quadro de retração significativa. As indústrias extrativistas acumulam queda de 9,5% no ano, enquanto a fabricação de produtos alimentícios registra um recuo de 7,3%. O setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis sofre o maior impacto, com uma queda de 30,6% no acumulado.
A única exceção positiva nesse panorama trimestral é, novamente, a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que mantém um crescimento acumulado de 36,9% no ano, demonstrando sua força e capacidade de superação.
RN lidera queda nacional
Com os resultados do primeiro trimestre, o Rio Grande do Norte registrou a maior queda industrial do país em 2026, com uma retração de 19,2%, segundo o IBGE. Essa performance alarmante foi predominantemente pressionada pela redução na produção de óleo diesel, dentro da atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.
A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional (PIM-PF Regional) monitora indicadores de curto prazo das indústrias extrativas e de transformação em 17 estados brasileiros e em toda a Região Nordeste, oferecendo um termômetro vital para a saúde econômica. A próxima divulgação desses dados está prevista para 10 de junho.
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