INTERFERÊNCIA POLÍTICA
Indústria brasileira acompanha com cautela fala de Flávio Bolsonaro sobre tarifas nos Estados Unidos
Representantes do setor temem que a participação de pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em audiências sobre sobretaxação de produtos brasileiros nos EUA complique negociações técnicas.
A indústria e o governo brasileiro acompanham com apreensão as audiências sobre a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos. A preocupação central reside na participação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no debate, que se estende por seu segundo e último dia nesta segunda-feira, 06/07/2026. A informação foi apurada pela analista de Política da CNN, Larissa Rodrigues.
Representantes de diversos setores, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria), além de segmentos de calçados e agronegócio, participam dos debates. Eles temem que a dimensão política do pleito, impulsionada por aliados de Bolsonaro, possa prejudicar as articulações técnicas essenciais para defender os interesses do país.
"Há um temor o quanto a política pode ser misturada nisso e complicar as articulações técnicas", alertou a analista, citando fontes da CNI e de setores diretamente afetados pela potencial sobretaxação, que pode atingir 37,5%.
A estratégia da indústria brasileira nas audiências é estritamente técnica. O objetivo é demonstrar que a medida punitiva pode, na verdade, prejudicar o próprio mercado norte-americano. Argumenta-se que os Estados Unidos necessitam de produtos exportados pelo Brasil que não possuem fornecedores alternativos em quantidade suficiente.
Dados da CNI, obtidos pela CNN, indicam que cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados, totalizando um impacto de quase R$ 15 bilhões em exportações.
Roberto Azevedo reforça defesa técnica da indústria
Para fortalecer a argumentação técnica, a CNI contratou Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) e ex-embaixador brasileiro. Sua presença é considerada estratégica, dada sua vasta experiência em negociações de comércio exterior e conhecimento da legislação americana.
Larissa Rodrigues ressaltou que Azevêdo já dialogou diretamente com Donald Trump em duas ocasiões durante seu primeiro mandato nos Estados Unidos, em Davos e em Washington. Sua atuação na OMC foi marcada pela busca de soluções para pautas importantes para a organização, diante da então inércia americana.
Azevêdo chega às audiências "muito bem munido de informações e muito bem preparado para esse encontro", segundo a analista, com o foco principal em evidenciar os potenciais prejuízos da sobretaxação para o mercado dos Estados Unidos. Contudo, o setor produtivo mantém um tom de cautela, receoso de que o componente político da participação de Flávio Bolsonaro (PL) possa desviar o curso da defesa técnica construída.
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