DADOS DA CNC E FECOMÉRCIO RN
Inadimplência das famílias em Natal atinge menor patamar em 11 anos
Em maio de 2026, 22,7% dos lares natalenses registraram contas em atraso, menor índice para o mês nos últimos 11 anos.
A inadimplência das famílias em Natal alcançou o menor patamar registrado para o mês de maio nos últimos 11 anos. Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), revelam que em maio de 2026, 22,7% dos lares da capital apresentavam contas em atraso.
Este resultado representa uma expressiva redução de 16,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o índice era de 38,9%. A diminuição de 1,8 ponto percentual em relação a abril de 2026 também reforça a tendência de melhora na capacidade de pagamento das famílias natalenses.
Apesar desse avanço na quitação de débitos, o levantamento aponta que o endividamento permanece em patamares elevados na capital potiguar. Atualmente, 83,2% das famílias possuem algum tipo de dívida, o que equivale a 235.368 lares. Este cenário indica que a maioria dos consumidores ainda recorre ao crédito para financiar despesas e garantir o consumo, mesmo que tenha conseguido diminuir os atrasos nos pagamentos.
Dentre as famílias que estão endividadas, 32,5% comprometem uma parcela moderada ou elevada de sua renda com obrigações financeiras. A pesquisa detalha ainda que 64.368 famílias tinham contas em atraso em maio, sendo que a maior parte dessas pendências possuía um prazo de inadimplência de até 90 dias.
Segundo a análise do Instituto Fecomércio RN, os números sugerem que os consumidores estão aprimorando a gestão de seus orçamentos domésticos, conseguindo equilibrar as despesas correntes com o pagamento de compromissos financeiros previamente assumidos.
O presidente em exercício da Fecomércio RN, Gilberto Costa, avalia que a melhora nesses indicadores tende a gerar impactos positivos na atividade econômica local. 'Quando mais pessoas recuperam sua capacidade de pagamento, ampliam-se as oportunidades de acesso ao crédito e de movimentação da economia, beneficiando empresas, trabalhadores e consumidores', explicou.
Costa ressalta a distinção entre endividamento e inadimplência, observando que muitas famílias mantêm financiamentos e parcelamentos sem atrasos. 'Estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente', destacou. O problema, segundo ele, surge quando o volume de obrigações financeiras compromete uma parcela significativa da renda familiar, elevando o risco de atrasos.
O cartão de crédito se mantém como o principal instrumento de endividamento, presente em 83,5% dos casos, seguido pelos carnês (17,2%). O presidente em exercício da Fecomércio RN alerta para a atenção na utilização do cartão, dada a facilidade de contratação. 'O problema não está no cartão em si, mas na forma como ele é utilizado. A economia comportamental demonstra que as pessoas sentem menos ‘dor’ ao gastar quando utilizam crédito em vez de dinheiro', analisou.
Embora positiva, a redução da inadimplência exige cautela. Costa pontua que o elevado percentual de famílias endividadas demanda atenção contínua, sendo o desafio transformar o crédito em ferramenta de desenvolvimento, e não de vulnerabilidade financeira. A recuperação gradual da capacidade de pagamento tem reduzido os atrasos, mas a sustentabilidade dessa melhora dependerá da evolução da renda, do emprego e do consumo nos próximos meses.
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