LAUDO REVELADOR
IML de João Pessoa não detecta violência em idosa morta
Exames para causa da morte de Milce Daniel seguem em análise, com prazo de dez dias para resultados.
O Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa confirmou, nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, que os exames periciais realizados no corpo da idosa Milce Daniel não detectaram sinais de violência. A revelação, feita pelo diretor do órgão, Flávio Fabres, ao g1, representa uma reviravolta significativa na investigação sobre a morte da idosa, encontrada em uma área de mata em Bayeux, e intensifica a busca por respostas sobre a verdadeira causa do seu óbito, um mistério que aflige familiares e a comunidade.
Fabres detalhou que as análises também deram negativo para violência sexual e para a presença de substâncias tóxicas que poderiam ter provocado a morte. Contudo, os exames decisivos para apontar a causa exata do falecimento ainda estão em execução, com um prazo legal de dez dias, que pode ser prorrogado, dada a complexidade do caso.
“O corpo estava em avançado estado de decomposição, tanto a perícia criminal, no local, que foi para lá fazer o esclarecimento se foi morte violenta ou não, não tinha nenhum elemento maior e a autópsia também não evidenciou algum elemento violento maior. Então tanto a perícia do local de encontro do corpo quanto a autópsia não evidenciaram sinais de violência”
— Flávio Fabres, diretor do IML.
Apesar dos resultados negativos para violência sexual, o diretor enfatizou que tais exames servem como um norte para a investigação da Polícia Civil, mas não descartam completamente a possibilidade de algum tipo de abuso. A violência sexual, explicou, pode se manifestar de diversas formas, inclusive sem deixar marcas físicas evidentes, apenas psicológicas. No entanto, os laudos reforçam a consistência da autópsia inicial.
Fabres também destacou que o cenário onde a idosa foi encontrada não apresentou "nenhuma alteração maior que chamasse a atenção" ou que indicasse manipulação do local. Atualmente, o IML aguarda o resultado de um exame de DNA, coletado durante uma perícia no carro de Willis Cosmo. Ele foi a última pessoa a ver Milce Daniel, quando ambos se dirigiam a uma consulta no Hospital Metropolitano, em João Pessoa.
Idosa pode ter chegado viva ao local
Milce Daniel Pereira, a idosa encontrada morta em uma área de mata após sete dias desaparecida em Bayeux, na Grande João Pessoa, pode ter chegado com vida ao local. Essa é a avaliação de Aldenir Lins, perito do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), que esteve no recolhimento do corpo em 29 de abril.
Willis Cosmo, amigo da idosa, foi conduzido à delegacia e liberado após prestar esclarecimentos, sem ser considerado suspeito pela Polícia Civil até o momento.
“Possivelmente, pelas condições que a gente viu, ela veio com vida até o local, tendo em vista que a sandália estava com ela, sandália de dedo, que seria muito fácil de ser perdida no local, as condições das vestes também, posição do corpo no local”
— Aldenir Lins, perito do IPC-PB.
O perito acrescentou que uma peça íntima da idosa foi localizada próxima ao corpo. Todavia, ele ressaltou que não é possível correlacionar essa descoberta com algum tipo de abuso sexual, e um exame específico foi solicitado para esclarecer a situação.
O delegado Douglas García, responsável pela apuração do caso, confirmou que Willis Cosmo foi ouvido em 29 de abril e liberado. Ele não figura como investigado e tem sido colaborativo com as autoridades. O inquérito, que inicialmente tratava de desaparecimento, pode ser reclassificado para morte natural ou homicídio, a depender dos laudos periciais. García destacou a repercussão do caso e a necessidade de garantir os direitos de todas as pessoas envolvidas na investigação.
Divergências nos depoimentos
Antes da localização do corpo, a Polícia Civil havia identificado divergências em depoimentos anteriores de Willis Cosmo. Segundo o delegado Douglas García, as inconsistências estavam relacionadas aos horários de saída do Hospital Metropolitano, em 22 de abril, e a ida para a região de mata para colher mangas.
O trajeto foi refeito em 28 de abril com o amigo da idosa, e a cronometragem indicou que “não seria possível, em hipótese nenhuma, chegar no horário dito pelo homem”, o que gerou estranhamento nas autoridades. Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, estava desaparecida desde a manhã de 22 de abril, após acompanhar Willis em uma consulta médica. O genro da idosa reconheceu o corpo, confirmando características como roupa, cor das unhas e maçãs do rosto, apesar do estado avançado de decomposição.
As buscas por Milce Daniel, realizadas em uma região de mata, contaram com o apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores.
O desaparecimento e as perícias
Milce Daniel Pessoa desapareceu após acompanhar Willis em uma consulta médica no Hospital Metropolitano, entre Santa Rita e Bayeux, na Grande João Pessoa, na manhã de 22 de abril. A filha da idosa relatou que o homem afirmou que ambos foram para uma região de mata colher mangas, pois Milce Daniel sentia fome. Ao se abaixar para pegar a fruta, ele teria perdido a idosa de vista.
Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil investiga o caso desde então. Em 24 de abril, o Corpo de Bombeiros realizou buscas na área do desaparecimento, mas sem sucesso na ocasião.
Em 27 de abril, perícias na casa e no carro de Willis Cosmo, realizadas pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), encontraram fios de cabelo e um pedaço de tecido de cor semelhante ao vestido da idosa dentro do veículo. Esse material foi recolhido para análise e o delegado Douglas García não divulgou detalhes sobre os motivos das perícias ou se o homem era considerado suspeito, mantendo o foco na coleta de provas técnicas para direcionar a investigação.
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