IA E HUMANIDADE EM RISCO
IA é uma espécie, não tecnologia, alerta vencedor do Pulitzer em Fórum de Lisboa
Thomas Friedman, tricampeão do Pulitzer, participou do 14º Fórum de Lisboa e defendeu uma "desintoxicação digital", alertando para os perigos da inteligência artificial à democracia e à confiança.
Em sua participação no 14º Fórum de Lisboa, nesta terça-feira, 02 de junho de 2026, o renomado colunista do The New York Times e vencedor de três prêmios Pulitzer, Thomas Friedman, lançou um alerta sobre a inteligência artificial (IA). Friedman argumentou que a IA transcende a definição de uma mera tecnologia, comparando-a a uma nova espécie com a qual a humanidade precisa aprender a coexistir. A declaração ocorreu durante o painel “Nova Ordem Global: Tecnologia, geopolítica e o futuro da democracia”, que contou com a mediação de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, e a apresentação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Friedman enfatizou que a crescente integração da IA em nossas vidas representa a “maior questão legal, judicial, ética e democrática” da atualidade. Ele sustentou que, sem uma adaptação consciente, a humanidade corre o risco de ser subjugada por essa nova força. “Estamos perdendo muita coisa em termos de humanidade. É necessária uma desintoxicação. E desintoxicar-se significa ficar longe das redes sociais”, declarou o jornalista.
O colunista apontou as redes sociais como adversárias diretas de dois pilares fundamentais da democracia: a verdade e a confiança. Segundo ele, a dificuldade em discernir o que é factual mina a capacidade de ação coletiva e a coesão social. “Se não sabemos o que é verdade, não sabemos o que estamos realmente fazendo. E, se não houver confiança, não podemos nos unir”, explicou, detalhando que o modelo de negócios dessas plataformas prioriza o engajamento do usuário em detrimento da informação qualificada.
Fórum de Lisboa discute os desafios da nova era
O 14º Fórum de Lisboa, realizado entre 1º e 3 de junho na Universidade de Lisboa, aborda o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. O evento registrou um recorde de 450 participantes em 2026, superando os 360 de 2025, e contou com a presença de figuras como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; Magda Chambriard, presidente da Petrobras; e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
O Fórum recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, uma chancela que reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento e sua contribuição para o debate democrático e a reflexão sobre os desafios contemporâneos de Portugal, do Brasil e do cenário internacional. A organização destacou que a distinção “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.

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