DECISÃO NA CÂMARA
Hugo Motta reúne líderes da Câmara para definir pauta antes do recesso
Presidente da Casa busca consenso para votar ao menos quatro projetos cruciais antes do período de descanso parlamentar, que se inicia em 18 de julho.
Nesta terça-feira, 30/06/2026, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se com líderes da Casa. O objetivo foi definir quais projetos serão votados em plenário antes do recesso parlamentar, previsto para iniciar em 18 de julho. O encontro estava marcado para as 15h.
A intenção de Hugo Motta é avançar com ao menos quatro pautas importantes, buscando estabelecer um calendário para as próximas semanas. O presidente da Câmara visa acelerar a votação dos principais projetos ainda neste semestre, considerando que os meses finais do ano serão dedicados à campanha eleitoral.
Entre os temas centrais da reunião, o projeto que eleva o limite anual do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 deve ser um dos primeiros a serem debatidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou o texto do governo aos deputados na segunda-feira (29), após encontro com o presidente da Câmara.
A equipe econômica do governo estima que a proposta resulte em uma renúncia fiscal de R$ 50 bilhões anualmente. A última atualização do teto do MEI ocorreu em 2018. Segundo dados do Sebrae, mais de 570 mil MEIs foram desenquadrados no início de 2025 por ultrapassarem a faixa limite estabelecida.
Outro texto que o presidente da Câmara pretende encaminhar para apreciação dos deputados é o projeto de lei que tipifica a misoginia como um crime de preconceito ou discriminação, alinhado à Lei de Racismo. As penalidades previstas variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. A proposta foi aprovada em um grupo de trabalho coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Em seu parecer, a deputada reformulou a proposta aprovada no Senado. A nova redação define misoginia como 'a prática, a indução ou a incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher, em razão da condição de mulher'. Anteriormente, o texto do Senado definia misoginia como a 'conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres'. A proposição original é de autoria da senadora Ana Paulo Lobato (PSB-MA) e foi aprovada na Casa Alta em março deste ano.
A discussão também deve abranger um projeto que aguarda o parecer do relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) sobre a regulação da Inteligência Artificial (IA) no Brasil. O texto foi aprovado no Senado no final de 2024. Caso os deputados realizem alterações, a proposta retornará para nova análise dos senadores. O projeto estabelece os compromissos de empresas desenvolvedoras de IA e orienta o uso dessa ferramenta, definindo o SIA (Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial). O relator ainda negocia pontos cruciais, especialmente sobre direitos autorais.
Para esta semana, também está prevista a discussão do Projeto de Lei Complementar (PLP) que visa reduzir tributos sobre combustíveis, como etanol e gasolina. O texto, enviado pelo líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), propõe a diminuição de impostos como Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e PIS/Cofins para gasolina, diesel, biodiesel e etanol. A proposta enfrentou críticas da base petista após a relatora, Marussa Boldrin (Republicanos-GO), incluir benefícios favorecidos a biocombustíveis, como a utilização de créditos do PIS/Cofins para abater outros tributos, considerados 'jabutis' por alguns parlamentares.
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