DEBATE ELEITORAL ACALORADO

Haddad critica Tarcísio em debate sobre privatizações em São Paulo

Candidatos ao Governo de São Paulo participando de debate na CNN Brasil.
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas durante debate sobre o futuro das estatais paulistas.

Fernando Haddad questionou a gestão da SABESP enquanto Tarcísio de Freitas defendeu os resultados da desestatização da companhia.

O embate entre os candidatos ao Governo de São Paulo revelou visões distintas sobre o futuro da infraestrutura no estado. Fernando Haddad (PT) questionou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acerca da necessidade e da eficácia das privatizações realizadas em sua gestão, durante o debate transmitido pela CNN Brasil.

Para contrapor os questionamentos sobre a política de desestatização, Tarcísio de Freitas listou diversos bairros e municípios paulistas, como Vila São Francisco em Poá, Santa Inês em Caeiras, Canta Galo em São Bento do Sapucaí, Cabo Sul, Jardim Fortaleza e o Distrito da Terra Preta em Mariporã. O governador defendeu que o contato direto com essas localidades é essencial para compreender as demandas de saneamento.

Em resposta à estratégia do governador, Haddad afirmou: "Tarcísio, você é um cara meio de decoreba, é engraçado ver, você é meio concurseiro. Você decora uns números e nomes e não responde o que eu te perguntei". O tom crítico do ex-prefeito focou na falta de respostas objetivas sobre o modelo administrativo adotado.

Na tréplica, Tarcísio de Freitas utilizou dados da gestão da SABESP para justificar as privatizações. O governador destacou avanços no tratamento de esgoto em Guarulhos, Cajamar, Franco da Rocha e Francisco Morato, além de citar um investimento de 8,5 bilhões de reais em saneamento na Baixada Santista.

Apesar da defesa governamental, números do Procon-SP revelam que, em 2025, a SABESP liderou o ranking de reclamações do órgão, com 6,9 mil requerimentos — um volume quatro vezes maior do que o registrado antes da conclusão da privatização em 2024. A companhia também é alvo de um inquérito civil estrutural conduzido pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

A investigação do Ministério Público foi instaurada para apurar protocolos de segurança após a explosão em uma obra da empresa no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, ocorrida no início de maio. Em posicionamento à CNN Brasil, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, atribuiu o salto nas queixas à intensificação das obras de expansão do saneamento.

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