DEBATE POLÍTICO
Haddad critica domínio da extrema-direita no debate público e redes sociais
Pré-candidato do PT critica discursos rasos e gestão Tarcísio de Freitas na sexta-feira, 8 de maio de 2026.
A vitalidade do debate público e a capacidade da esquerda de se fazer ouvir foram o cerne da análise feita por Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, na sexta-feira, 8 de maio de 2026, durante um evento da Fundação Perseu Abramo. O ex-ministro alertou que a extrema-direita tem dominado a pauta nas redes sociais e na esfera pública, um cenário que, segundo ele, compromete a profundidade das discussões e a própria dignidade do processo democrático.
Haddad defendeu que os setores progressistas ampliem sua capacidade de diálogo com a sociedade. Ele argumentou que a crise do capitalismo e da globalização, que se intensificou a partir de 2008, abriu um "campo de possibilidades" que tem sido mais explorado pela direita do que pela esquerda. Essa dinâmica, segundo o pré-candidato, permite que discursos "rasos" ganhem adesão rápida, especialmente nas plataformas digitais.
"O discurso raso da extrema-direita, com um contraponto bem feito, ele cede, porque não se sustenta. Mas ele precisa ser construído", declarou o ex-ministro da Fazenda.
Desafios no Congresso e Formação Política
O pré-candidato também apontou as dificuldades que a esquerda enfrenta para disputar espaço político em um Congresso Nacional que ele descreveu como majoritariamente conservador. Haddad estimou que "cerca de 80%" dos congressistas pensam de forma diferente do governo federal, ainda assim, ressaltou a capacidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em manter a competitividade política diante dessa correlação de forças desfavorável.
No evento, Fernando Haddad propôs que a Fundação Perseu Abramo intensifique seu papel como polo de reflexão teórica, formação política e produção intelectual para o PT. Ele sugeriu a expansão de projetos que facilitem o acesso à bibliografia clássica e contemporânea, incluindo a tradução de obras ainda não disponíveis em português, para enriquecer o repertório ideológico do partido e de seus militantes.
A filósofa Marilena Chaui, também presente, reforçou a importância de a fundação aprofundar debates sobre movimentos sociais, democracia e direitos. A professora expressou preocupação com a possível fragmentação dos movimentos sociais em pautas identitárias isoladas, defendendo uma maior articulação entre os diversos setores da sociedade para fortalecer a ação coletiva.
Inteligência ARTIFICIAL NA POLÍTICA
Haddad detalhou o impacto das redes sociais e da inteligência artificial no cenário político. Ele observou que, enquanto a esquerda por anos esteve em desvantagem nas plataformas digitais, grupos conservadores aprimoraram o domínio dessas ferramentas tecnológicas e do impulsionamento de conteúdo, criando uma assimetria na comunicação política.
"Não pensem vocês que a gente perde nas redes só porque a gente não sabe lidar com a ferramenta. É porque eles dominam essa tecnologia", enfatizou.
O ex-ministro comparou os modelos de desenvolvimento da inteligência artificial praticados na China e nos Estados Unidos, argumentando que o Brasil precisa urgentemente debater como utilizar essa tecnologia para democratizar o acesso ao conhecimento e fortalecer a comunicação política de forma ética e eficaz.
Críticas ao Governo Paulista
Em um ponto distinto de seu pronunciamento, Haddad dirigiu críticas à gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ele afirmou haver uma "distância absurda" entre a realidade percebida da administração paulista e a imagem veiculada pela imprensa, sugerindo uma discrepância preocupante.
"O tamanho do retrocesso não é menor do que o Bolsonaro representou no plano federal", sentenciou o pré-candidato, traçando um paralelo contundente sobre as políticas estaduais e nacionais.
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