PETRÓLEO E GUERRA

Guerra acelera urgência de transição e substituição do petróleo, diz Magda Chambriard, presidente da Petrobras

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, em um evento.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, discursa no Fórum de Lisboa.

Executiva da Petrobras aponta que conflitos mundiais evidenciam necessidade de novas tecnologias energéticas e preveem alta nos preços por até quatro anos.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (03/06/2026), durante o Fórum de Lisboa, que os recentes conflitos globais intensificam a urgência da transição energética e da busca por alternativas ao petróleo. Segundo a executiva, a volatilidade dos preços do combustível fóssil já indicava um movimento mundial em direção a novas fontes energéticas, e as guerras apenas aceleram esse processo.

No início de 2025, o barril de petróleo registrou um preço de US$ 83, que chegou a cair para US$ 59 em fevereiro. A executiva ressaltou a necessidade de adaptação a esse patamar, indicando a transição energética como uma realidade.

Contudo, a eclosão de conflitos, como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provocou uma inversão na ordem de preços, com o valor do barril ultrapassando os US$ 100. Essa disparada, na visão de Chambriard, evidencia a pressa em substituir o petróleo. A expectativa é que as guerras impulsionem a produção de novas tecnologias e pesquisas para encontrar um novo equilíbrio energético global.

Ainda assim, a presidente da Petrobras estima que essa transição levará algum tempo. Ela prevê que os efeitos do aumento dos preços, decorrentes dos conflitos, persistirão por pelo menos quatro anos, mesmo após o fim das guerras, antes que os valores retornem a patamares como os US$ 60 por barril.

No Brasil, o processo de transição energética enfrenta desafios adicionais. Chambriard apontou que a iniciativa demandará um investimento anual de R$ 1,2 bilhão pelos próximos 25 anos, montante superior à metade do investimento nacional atual.

A declaração foi feita durante o evento conhecido como 'Gilmarpalooza', onde a presidente da Petrobras participou de um painel sobre os rumos da economia brasileira, com reflexões internacionais.

O Fórum de Lisboa, organizado anualmente em Portugal pelo ministro decano do STF, Gilmar Mendes, reúne autoridades, juristas, políticos e acadêmicos, majoritariamente do Brasil e da Europa. O evento, que neste ano ocorreu entre 1º e 3 de junho, dedica-se a debater temas cruciais como direito, economia, democracia e políticas públicas.

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