SEGURANÇA E POLÍTICA

Guarda Nacional completa um ano de patrulhamento ostensivo em Washington

Militares da Guarda Nacional em serviço nas ruas de Washington.
Integrantes da Guarda Nacional patrulham pontos turísticos e estações em Washington.

Prevista para durar até 2029, a presença militar na capital dos EUA é alvo de críticas por sua eficácia questionável e pelo alto custo aos cofres públicos.

Militares armados em estações de metrô, ruas do centro e pontos turísticos tornaram-se parte da paisagem de Washington. É comum ver integrantes da Guarda Nacional tirando fotos com turistas ou circulando pela cidade. O que começou como uma mobilização anunciada pelo presidente Donald Trump para responder a uma suposta "emergência" de criminalidade evoluiu para uma operação de longo prazo, com previsão de permanência até janeiro de 2029, gerando intensos debates sobre os limites do uso das Forças Armadas na segurança pública.

A mobilização teve início em 11 de agosto de 2025, quando Donald Trump declarou estado de emergência e determinou o envio de 800 integrantes da Guarda — contingente que posteriormente foi ampliado para mais de 4.500 militares. O movimento ocorreu apesar de dados oficiais indicarem que a criminalidade já apresentava sinais de recuo antes da chegada das tropas.

O governo defende a continuidade da operação. Em balanço recente, o US Marshals Service informou a realização de 16 mil prisões e a apreensão de quase 2.000 armas ilegais. Lauren Bis, porta-voz da Casa Branca, reiterou que a força-tarefa reduziu o crime e tornou Washington um ambiente mais seguro.

No entanto, levantamentos de instituições como o CAP (Center for American Progress) e análises do site The Trace colocam esses resultados em xeque. Segundo o CAP, não há evidências de efeito mensurável das tropas sobre homicídios ou crimes violentos. O estudo de Chandler Hall aponta que a tendência de queda na violência urbana já estava consolidada muito antes da intervenção militar.

A preocupação se estende ao custo e à natureza da operação. O Escritório de Orçamento do Congresso estima que a permanência da Guarda até 2029 custará cerca de US$ 1,4 bilhão. Para organizações como a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) e a Human Rights Watch, a normalização da presença de tropas nas ruas representa uma ameaça aos direitos civis e ao treinamento focado em policiamento comunitário. Reagan Williams, pesquisadora da HRW, alerta que o treinamento militar, voltado ao uso de força letal, é incompatível com a rotina de segurança civil em uma metrópole.

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