ORIENTE MÉDIO CRÍTICO
Governo Trump desafia Congresso e prolonga conflito com o Irã
Decisão ignora exigência constitucional, intensifica bloqueio de Ormuz e eleva caos global. Milhares de mortos.
A tensão no Oriente Médio escala à medida que o governo Trump anunciou nesta sexta-feira, 01/05/2026, sua decisão de ignorar o prazo legal para buscar autorização do Congresso dos EUA, mantendo assim a intervenção militar contra o Irã. A medida, que desafia a Constituição americana, abre caminho para novos ataques com o objetivo de forçar Teerã a negociar um acordo, prometendo uma reação “dolorosa e prolongada” do regime iraniano e acentuando o sofrimento de populações já devastadas por um conflito que ceifou milhares de vidas e asfixia a economia global.
Nesta sexta-feira, 01/05/2026, expiraria o período de 60 dias previsto pela lei americana que obriga o presidente dos Estados Unidos a interromper uma intervenção militar ou a solicitar formalmente a permissão do Poder Legislativo. O conflito teve início em 28 de fevereiro e, embora um cessar-fogo tenha sido declarado em 7 de abril, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, argumentou na quinta-feira, 30 de abril de 2026, que a suspensão das hostilidades “pausa o relógio dos 60 dias”.
“As hostilidades iniciadas no sábado, 28 de fevereiro, terminaram”, acrescentou à AFP um alto funcionário do governo americano, enfatizando que não houve troca de disparos entre as forças armadas dos Estados Unidos e o Irã desde 7 de abril.
'Derrota vergonhosa' e retaliação
Enquanto isso, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou na quinta-feira, 30 de abril de 2026, que os Estados Unidos sofreram uma “derrota vergonhosa” diante do Irã. O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, por sua vez, denunciou o bloqueio americano como uma “extensão das operações militares”.
Na noite de quinta-feira, 30 de abril de 2026, sistemas de defesa antiaérea foram ativados em Teerã contra drones e aeronaves não identificadas. Segundo as agências Tasnim e Fars, “o barulho da defesa antiaérea cessou após cerca de 20 minutos de atividade e de resposta contra pequenas aeronaves”, indicando que a capital iraniana retornou à “situação normal”.
O prolongado conflito já provocou milhares de mortes, especialmente no Irã e no Líbano. Apesar da trégua e de primeiras conversas realizadas em 11 de abril, em Islamabad, as negociações de paz permanecem em um impasse.
Duplo bloqueio do Estreito de Ormuz
Com as discussões estagnadas, os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz intensificam-se na economia mundial. Há uma escassez gradual de diversos produtos, pressões inflacionárias crescentes e revisões para baixo nas projeções de crescimento global. Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos em retaliação à ação de Teerã no estreito, uma passagem estratégica por onde transitava um quinto dos hidrocarbonetos globais antes do conflito. Este duplo bloqueio fez os preços do petróleo dispararem.
Um alto funcionário americano mencionou a possibilidade de prorrogar essa medida “por meses”, o que agrava ainda mais a perspectiva econômica.
Diante do cenário de um conflito prolongado, o barril de Brent, referência mundial do petróleo bruto, ultrapassou brevemente, na quinta-feira, 30 de abril de 2026, os US$ 126, o maior nível desde o início de 2022, período da invasão da Ucrânia pela Rússia. Na manhã desta sexta-feira, 01/05/2026, o produto registrava alta de 0,59%, cotado a US$ 111,05.
“O mundo enfrenta a mais grave crise energética de sua história”, alertou Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia.
'À beira do abismo'
António Guterres, secretário-geral da ONU, reforçou o alerta sobre o “estrangulamento” da economia global devido à paralisação do estreito. “Agora é o momento do diálogo, de soluções que nos afastem da beira do abismo e de medidas capazes de abrir um caminho para a paz”, defendeu Guterres em uma mensagem na plataforma X.
Na frente libanesa, novos ataques israelenses no sul do país causaram ao menos 17 mortes na quinta-feira, 30 de abril de 2026.
A embaixada americana em Beirute clamou por uma reunião entre o presidente libanês e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descrevendo o Líbano como “em um ponto de inflexão”. A embaixada publicou no X: “Seu povo tem a oportunidade histórica de retomar o controle de seu país e forjar seu futuro”.
Desde o início de março, as operações conduzidas por Israel no Líbano, onde combate o movimento pró-iraniano Hezbollah, resultaram em mais de 2.500 mortos e mais de um milhão de deslocados, segundo informações das autoridades.
* Com AFP
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