TARIFAS DOS EUA
Governo Lula vê margem para negociar tarifa dos EUA, mas planeja culpar Flávio Bolsonaro por falha política
Recomendação de 25% sobre produtos brasileiros é vista como política pelo Planalto, que aposta em diálogo, mas já prepara narrativa contra senador.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já antecipava uma recomendação de aumento de tarifa de importação por parte dos Estados Unidos, motivada por supostas práticas desleais do Brasil. O anúncio ocorreu nesta terça-feira, 02/06/2026. No entanto, em caso de fracasso nas negociações, o presidente Lula pretende atribuir a responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, utilizando o PIX como ponto central para defender a posição brasileira e argumentar perseguição política por uma ala do governo anterior.
A inclusão do PIX na argumentação, segundo a equipe presidencial, fortalece o discurso de que o Brasil é alvo de perseguição política. A análise do governo brasileiro é que o percentual da tarifa recomendada por Washington ainda não era conhecido pelas autoridades locais. Assessores de Lula apontam que, além do PIX, a menção a acordos comerciais com México e Índia, assim como alegações de falhas no combate à corrupção – mesmo com investigações em andamento pela Polícia Federal –, não possuem embasamento lógico na discussão.
A expectativa por uma medida dos Estados Unidos já existia, em decorrência da investigação iniciada sob a Seção 301 da legislação comercial americana. A recomendação oficial, divulgada nesta terça-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), sugere a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A imagem que acompanha a notícia é uma ilustração genérica sobre tarifas de importação.

Interlocutores do Palácio do Planalto ressaltam que as negociações recentes transcorreram de forma positiva, com referências dos representantes americanos aos contatos estabelecidos, incluindo reuniões com o presidente Lula. Fontes do governo indicam que as conversas nas semanas anteriores já apontavam para a possibilidade de uma recomendação no início da semana. Em conversas reservadas, a avaliação interna é que o resultado poderia ter sido mais severo para o Brasil, e que a decisão, embora política, preserva espaço para o diálogo contínuo.
Diante disso, a orientação governamental é prosseguir com as negociações para mitigar os impactos da medida e buscar alternativas para sua reversão ou amenização. Bastidores revelam críticas a parte dos argumentos apresentados pelos EUA na investigação, considerados estranhos e desconectados da discussão comercial que a motivou, como as referências ao PIX e a supostos acordos preferenciais.
A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos e intensificar as conversas com a administração americana nas próximas semanas, buscando assegurar o diálogo e a proteção dos interesses nacionais.
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