RUMO A MINAS

Governo Lula recalcula rota em Minas Gerais com Josué Alencar

Senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em plenário, com camisa social e óculos.
Senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Ala do governo avalia filho de José Alencar após impasse com Rodrigo Pacheco; Cúpula do PSB e Lula já discutem a movimentação.

Em um movimento estratégico que redefine o cenário político mineiro, interlocutores do governo Lula consideram Josué Alencar como uma alternativa viável para a disputa em Minas Gerais, nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026. A decisão surge após uma ala do governo afastar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) da preferência, motivada pela controvérsia em torno da rejeição do nome de Jorge Messias ao STF, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Esta guinada política sinaliza uma busca por maior alinhamento e impacto nas futuras eleições estaduais, com reflexos diretos na governabilidade e nas articulações do Planalto.

Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, que ocupou o cargo nos dois mandatos anteriores de Lula, já se filiou ao PSB de Minas, o mesmo partido de Rodrigo Pacheco. Sua entrada no cenário político mineiro não é recente, mas ganha um novo contorno estratégico. A cúpula do PSB já discute ativamente seu nome, e conversas sobre essa possibilidade já chegaram ao presidente Lula, indicando um endosso significativo do Palácio do Planalto.

Apesar dessa nova movimentação, o Partido dos Trabalhadores (PT) em Minas ainda mantém sua preferência por Rodrigo Pacheco. O senador tem demonstrado boa pontuação em pesquisas de intenção de voto, o que o mantém como um nome forte na percepção do PT local. Contudo, a articulação federal com Josué Alencar introduz uma complexidade ao tabuleiro político, forçando o PT a reavaliar suas estratégias diante da nova realidade.

O ponto de inflexão decisivo para a mudança de planos governistas foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), liderou esse movimento, e a percepção de um alinhamento de Rodrigo Pacheco com as forças que barraram a indicação do governo gerou um profundo desconforto no Planalto. Para uma influente ala do governo, a permanência de Pacheco como candidato preferencial em Minas Gerais tornou-se inviável, demandando a busca por um novo nome que reflita maior fidelidade e coesão política.

Interlocutores próximos ao presidente Lula analisam o potencial competitivo de Josué Alencar com otimismo. Ele não é um novato na política mineira; em 2014, disputou uma cadeira no Senado por Minas Gerais, conquistando expressivos mais de 3 milhões de votos. Apesar de ter sido superado por Antonio Anastasia, que encerrava seu mandato como governador do estado, o desempenho de Josué à época demonstra sua capacidade de mobilização eleitoral. Essa experiência prévia reforça a convicção de que ele pode se firmar como um nome forte e coeso para os planos do governo em Minas Gerais, buscando consolidar uma base aliada e fortalecer a governabilidade.

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