TAXAÇÃO BRASIL-EUA
Governo Lula ignora audiência nos EUA sobre tarifaço e aposta em diálogo direto
Em vez de participar de audiência pública com sociedade civil, Planalto opta por negociações bilaterais com gestão Donald Trump para evitar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
A audiência que avalia a proposta dos Estados Unidos para taxar produtos brasileiros em 25% ocorre nesta segunda-feira (6/7) e terça-feira (7/7). Apesar de aberta à sociedade civil e com a participação de associações e empresas inscritas, o governo brasileiro optou por não enviar representantes. A decisão, tomada por interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), baseia-se na avaliação de que o canal de diálogo direto com a gestão Donald Trump já estabelecido é o mais eficaz para tratar sobre as tarifas, tornando a audiência pública um fórum inadequado para negociações governamentais.
A sessão, promovida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), é vista pelo Planalto como um espaço voltado para manifestações de empresas e outros setores diretamente impactados pelas alíquotas propostas, e não como um palco para negociações diplomáticas. Essa estratégia visa priorizar a comunicação bilateral e evitar a exposição em um ambiente que não reflete a natureza das negociações entre governos.
A audiência conta com 84 inscritos, incluindo figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o influenciador Paulo Figueiredo, a maioria com intenção de se manifestar contra as taxas. Há também 13 inscritos que pretendem apoiar as alíquotas propostas pelo USTR, segundo levantamento do Metrópoles.
Embora o governo brasileiro não tenha representante oficial para discursar, a Embaixada do Brasil em Washington acompanhará de perto as discussões e manifestações. Essa presença visa monitorar o discurso, especialmente de figuras políticas que podem gerar preocupações ao Palácio do Planalto, como as declarações do senador Flávio Bolsonaro.
Em resposta às acusações norte-americanas que justificam as tarifas, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, enviou ao USTR um documento contestando as alegações. Este documento funciona como uma manifestação oficial do governo brasileiro, complementando a estratégia de diálogo direto que ainda busca evitar a aplicação das taxas, com data prevista para 15 de julho.
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