GASTOS COM PROPAGANDA

Governo Lula empenha R$ 520 milhões em propaganda, mais que o dobro de Bolsonaro em 2022

Imagem ilustrativa do governo Lula empenhando milhões em propaganda
Governo Lula empenha R$ 520 milhões em propaganda antes da eleição, mais que o dobro do gasto de Bolsonaro em 2022

Valores empenhados no primeiro semestre de 2026 superam em mais de 100% o montante de 2022, ano eleitoral. PL questiona gastos no TSE.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empenhou R$ 520 milhões em publicidade institucional no primeiro semestre de 2026. O valor é superior ao dobro dos R$ 213,5 milhões destinados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022, ano da última eleição presidencial. A decisão de realizar tais empenhos, em um ano eleitoral, visa otimizar a divulgação de ações governamentais antes das restrições impostas pela legislação eleitoral. A medida é relevante pois impacta a visibilidade das políticas públicas em um momento crucial para a opinião pública.

Esses dados foram compilados a partir de um levantamento da Folha de S.Paulo e consideram os valores empenhados na ação orçamentária da Secretaria de Comunicação Social (Secom), atualizados pela inflação. Em anos eleitorais, os gastos com publicidade oficial tendem a se concentrar nos primeiros seis meses. Isso ocorre porque a legislação determina a suspensão da propaganda institucional a partir do período de defeso eleitoral, que neste ano se inicia em 4 de julho. Somente campanhas consideradas de grave e urgente necessidade pública podem continuar a ser veiculadas.

Governo Lula empenha R$ 520 milhões em propaganda antes da eleição
Governo Lula empenha R$ 520 milhões em propaganda antes da eleição, mais que o dobro do gasto de Bolsonaro em 2022.

Em resposta, a Secom informou que todas as despesas estão em conformidade com os limites legais. A secretaria ressaltou que comparações entre diferentes gestões devem levar em conta as particularidades de cada período, bem como as políticas públicas e campanhas de utilidade pública realizadas.

Entre as campanhas de maior investimento, destaca-se a ação “Conectando entregas e futuro”, com custo estimado de R$ 150 milhões. Outra iniciativa relevante foi a campanha sobre o fim da escala 6×1, orçada em R$ 80 milhões, além de R$ 45 milhões destinados à divulgação do programa Desenrola Brasil. O governo também alocou cerca de R$ 7,6 milhões para pesquisas de opinião ligadas à comunicação institucional.

A controvérsia em torno dos gastos ganhou força na última semana, quando o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A sigla alega que o Executivo teria excedido o limite legal de gastos com publicidade no primeiro semestre do ano eleitoral. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça. Adicionalmente, uma decisão da Justiça Federal suspendeu a campanha nas redes sociais sobre o fim da escala 6×1, atendendo a um pedido do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O governo afirmou que apresentará os esclarecimentos técnicos e jurídicos necessários no processo.

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