CRISE NO GOVERNO

Governo Lula discute substituto para Jaques Wagner na liderança do Senado

Senador Jaques Wagner em Brasília.
Senador Jaques Wagner em Brasília.

Senador é alvo da Operação Compliance Zero da PF e sua permanência divide base aliada e o PT. Decisão final deve ocorrer nesta quarta-feira (24) após reunião com Lula.

O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado Federal, tornou-se o epicentro de uma crise que fragmenta a base aliada e o próprio PT (Partido dos Trabalhadores). Em meio a investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF (Polícia Federal), Wagner se reunirá nos próximos dias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para delinear seu futuro político. A expectativa é que a permanência do senador na liderança seja o ponto central desta discussão.

A cúpula governista já avalia nomes para uma eventual substituição de Jaques Wagner. A analista Jussara Soares, em participação no CNN Prime Time, destacou duas senadoras como principais candidatas a assumir a função. A decisão visa a blindar o governo em um momento delicado, especialmente com a proximidade de um período eleitoral.

Um dos nomes considerados é o da senadora Teresa Leitão, do estado de Pernambuco. Sua ascensão é vista como estratégica pela articulação que tem demonstrado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa habilidade de negociação é considerada crucial para o avanço das pautas governistas na Casa Legislativa. Apesar de ser senadora de primeiro mandato, Teresa Leitão tem se destacado por sua competência política.

Outra senadora mencionada é Camilo Santana, que recentemente deixou o Ministério da Educação. Sua dedicação atual está focada nas eleições da região Nordeste, com ênfase no Ceará, onde o PT enfrentará o ex-ministro Ciro Gomes. A analista Jussara Soares avalia que, devido a essa prioridade regional, as chances de Camilo Santana assumir a liderança no Senado são remotas, pois sua atenção deve permanecer voltada para as disputas eleitorais no Nordeste.

A permanência de Wagner, sob investigação da Operação Compliance Zero, representa um risco para a imagem de Lula, especialmente em um cenário de busca por reeleição, e pode ser explorada por adversários políticos, como Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto pelo PL.

A quarta-feira, 24 de junho de 2026, é apontada como o dia decisivo. Antes do encontro com o presidente Lula, Jaques Wagner deve se reunir com Davi Alcolumbre, presidente do Senado (União-AP). O desfecho desse encontro com Lula definirá se Wagner continuará na liderança. Fontes do Palácio do Planalto indicam que a reunião tende a oficializar uma troca.

A expectativa geral é que o encontro não resulte na manutenção de Wagner na liderança. Contudo, dada a longa relação pessoal entre Lula e o senador, o desfecho exato permanece incerto. A tendência, segundo o repórter Danilo Moliterno, é que a troca seja oficializada nos próximos dias.

Wagner busca apoio de aliados

Antes de retornar a Brasília, Jaques Wagner mobilizou aliados em busca de suporte para mitigar os efeitos da investigação em sua imagem. Entre os que manifestaram apoio público, destacam-se o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e Rui Costa (PT). O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, também defendeu Wagner, argumentando que ele se posicionou contra a PEC da Autonomia Financeira do Banco Central. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) endossou a defesa. Davi Alcolumbre, por sua vez, já havia defendido publicamente o senador no dia da operação.

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