PLANO SAFRA 2026/2027

Governo lança Plano Safra para empresários e agricultura familiar nesta terça-feira, 30 de junho de 2026

Presidente Lula e ministros em evento de lançamento do Plano Safra
Governo lança Plano Safra empresarial e familiar nesta 3ª feira

Serão anunciados valores de crédito rural e taxas de juros para o ciclo. Presidente Lula participará do evento voltado aos pequenos produtores.

O governo federal lança nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, o Plano Safra para o biênio 2026/2027, abrangendo tanto empresários rurais quanto a agricultura familiar. A iniciativa apresenta novos valores de crédito rural e taxas de juros para o ciclo que se inicia em 1º de julho, com a expectativa de que os dois pacotes somem mais de R$ 600 bilhões, embora aquém do montante pleiteado pelo setor produtivo.

As medidas destinadas ao agronegócio e aos pequenos produtores serão divulgadas no Palácio do Planalto, em cerimônias distintas. Às 10h, o governo apresentará os números para a agricultura empresarial, em um evento conduzido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo ministro da Agricultura, André de Paula. Posteriormente, às 17h, será a vez do anúncio para a agricultura familiar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de volta ao Brasil após participar da Cúpula do Mercosul no Paraguai, comparecerá a este segundo evento, um aceno estratégico a esse segmento populacional a poucos meses das eleições. Ministros como Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), Míriam Belchior (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Edipo Araujo (Pesca) também estarão presentes.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o Plano Safra 2026/2027 destinará R$ 525,1 bilhões a médios e grandes produtores, enquanto a agricultura familiar deverá receber entre R$ 83 bilhões e R$ 85 bilhões. Esse total posiciona o programa na faixa de R$ 608 bilhões a R$ 610 bilhões, representando um recorde nominal. Contudo, o aumento é de apenas cerca de 2% em relação aos R$ 594,4 bilhões do ciclo anterior, quando o agronegócio recebeu R$ 516,2 bilhões e os agricultores familiares, R$ 78,2 bilhões.

Imagem ilustrativa do lançamento do Plano Safra.

Apesar do montante recorde, os recursos ficam abaixo da recomendação dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que haviam solicitado R$ 652 bilhões – um acréscimo de 10% em relação à safra atual. As pastas almejavam R$ 570 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 82 bilhões para pequenos, além de taxas de juros inferiores a 1 dígito. O setor produtivo também demonstrou insatisfação, demandando entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões em crédito rural, conforme solicitações feitas ao governo pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e Sistema Faep ao longo do primeiro semestre.

Gráfico histórico de taxas de juros do Plano Safra.

A redução da taxa Selic, que passou de 15% no início do ciclo 25/26 para 14,25%, sugere a possibilidade de cortes nas taxas de juros para os produtores. No ciclo atual, que se encerra nesta terça-feira, os juros variaram entre 8,5% e 14% ao ano para grandes e médios produtores, e de 0,5% a 8% para agricultores familiares. A prioridade para o novo ciclo, segundo o Ministério da Agricultura, será o custeio, modalidade de crédito rural essencial para cobrir as despesas de produção.

Gráfico comparativo das taxas de juros do Plano Safra.

SEGURO E DÍVIDAS RURAIS

A expectativa é que o Plano Safra contemple, ainda que com poucas chances, medidas para seguro rural e renegociação de dívidas, demandas relevantes do setor produtivo que têm mobilizado a bancada ruralista no Congresso. A discussão se intensifica após a aprovação pelo Senado do PL 5.122 de 2023, que propõe uma linha especial de crédito para aliviar endividamentos de produtores rurais afetados por eventos climáticos ou geopolíticos. O Planalto estima o impacto financeiro da proposta em R$ 140 bilhões, enquanto a FPA contesta, calculando o custo em R$ 65 bilhões ao longo de 13 anos.

No âmbito do seguro rural, a Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que moderniza os marcos regulatórios da política pública, com alterações no PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) e no Fundo de Cobertura Suplementar dos Riscos do Seguro Rural. O objetivo é expandir a proteção aos agricultores já a partir do Plano Safra 26/27.

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